Símbolo sagrado no imaginário do povo brasileiro e sinônimo de poder e arte para os amantes do esporte espalhados pelo mundo, a Seleção Brasileira de futebol é uma marca a qual todas as outras marcas querem estar associadas.
De olho na Copa do Mundo de 2014, que será realizada no Brasil, a Seleção conta com dez patrocinadores, com contratos que chegam a R$ 193 milhões, e acaba de completar o time com uma empresa suíça.
Válido pelos próximos cinco anos, o contrato de patrocínio entre a Parmigiani e a CBF foi anunciado no dia 3 de maio, em um hotel no Rio de Janeiro. O anúncio contou com as presenças do presidente da entidade, Ricardo Teixeira, e dos técnicos das seleções principal (Mano Menezes) e sub-20 (Ney Franco) do Brasil: “Saudamos com alegria a chegada de mais um integrante da família CBF. A Parmigiani nos dará a honra de ver a sua marca de excelência associada à imagem consagrada por milhões de pessoas através de nossa Seleção Brasileira. Espero que essa parceria dure por muitos anos”, disse Teixeira.
Considerada uma das principais marcas da alta relojoaria internacional, a Parmigiani oferece produtos que fogem à realidade econômica de grande parte dos brasileiros. A linha que a empresa suíça produzirá para a CBF terá três faixas de preço. Os mais baratos sairão por cerca de US$ 15 mil. Os mais caros, com modelos exclusivos, custarão a partir de US$ 100 mil, preço mais compatível com os salários dos jogadores de futebol do que com a renda da imensa maioria dos torcedores.
Indagado sobre essa aparente contradição, o representante da Parmigiani, o suíço Jean-Marc Jacot, afirmou que isso não é uma limitação para a parceria com a CBF e explicou que a marca pode ser popular ainda assim: “Queremos ser como a Ferrari, que não é uma marca acessível para todas as pessoas, mas é extremamente popular em todo o mundo. Com a seleção brasileira, a Parmigiani se aproxima desse reconhecimento internacional”, disse.
Jacot comemorou a nova parceria: “Esse contrato com a seleção brasileira de futebol é muito importante para que a marca Parmigiani se torne mais conhecida no Brasil e no mundo inteiro. Todos sabemos que a seleção brasileira é ‘a’ equipe de futebol que todo mundo conhece e tem vontade de ver jogar. A CBF é uma confederação legendária, que escreveu a lenda do futebol nesses últimos cem anos ou quase”.
Jacot vê com bons olhos o futuro da Parmigiani no país: “O mercado brasileiro está em pleno crescimento e demonstra uma evolução importante para a relojoaria suíça e, sobretudo, para os relógios de luxo. Esse é um segmento que vem se tornando cada vez mais importante. Se o Brasil continuar a se desenvolver como está se desenvolvendo, nesse ritmo de evolução, terá um mercado que se tornará em pouco tempo para a relojoaria suíça tão importante quanto o mercado dos Estados Unidos”.
O valor total do contrato não foi oficialmente revelado pelas partes: “Só posso revelar que o montante do contrato foi demais para nós é não o suficiente para a CBF”, brincou o representante da Parmigiani. Uma fonte da CBF, entretanto, afirmou extraoficialmente à swissinfo.ch que o contrato gira em torno de US$ 6,5 milhões anuais. Pelos próximos cinco anos, a empresa suíça irá patrocinar todas as equipes da CBF, incluindo as seleções de base e a seleção feminina. A marca não será exibida nos uniformes de jogo ou treino, mas será associada à CBF na organização de eventos esportivos e institucionais.
Mais conhecida por patrocinar eventos tradicionais na Suíça como o Festival de Montreux ou o Festival de Balões de Château d’Oex, a Parmigiani estreou no mundo do futebol com um patrocínio à equipe francesa do Olimpique de Marselha.
Segundo Jacot, a Parmigiani já tem butiques, que chama de ateliês, na Europa e na Ásia, e pretende abrir duas no Brasil até a Copa de 2014.
Maurício Thuswohl, swissinfo.ch
Rio de Janeiro