Rio de Janeiro, 21 de Outubro de 2026

Seleção de vôlei fica com a prata, em clima de despedida

A seleção brasileira de vôlei masculino encerrou um ciclo olímpico de oito anos com a medalha de prata em Pequim e em clima de despedida com saídas já anunciadas de jogadores e incerteza do treinador Bernardinho sobre se continua com o grupo. (leia mais)

Domingo, 24 de Agosto de 2008 às 08:50, por: CdB

A seleção brasileira de vôlei masculino encerrou um ciclo olímpico de oito anos com a medalha de prata em Pequim e em clima de despedida com saídas já anunciadas de jogadores e incerteza do treinador Bernardinho sobre se continua com o grupo.

O time, que foi seis vezes campeão da Liga Mundial na "era Bernardinho", iniciada em 2001, enfrenta a saída do meio-de-rede Gustavo, que disputou seu último jogo pela seleção na partida contra os Estados Unidos, neste domingo. Além de Gustavo e também do oposto Anderson, o capitão Giba afirmou que fica só até 2010.

- Minha idéia (de ficar na seleção) é até 2010. Tenho que ver a necessidade da minha família, é difícil passar esse mês inteiro longe de casa com a minha filha não falando comigo. Isso pesa bastante quando a gente vai ficando velho - disse Giba, 32 anos, que em breve será pai pela segunda vez.

Na derrota para os Estados Unidos na final em Pequim, por 3 sets a 1, o time avaliou que jogou bem, mas que os norte-americanos foram superiores.

O sentimento da derrota se misturou com o da despedida, com jogadores como Marcelinho e Bruno inconsoláveis ao final da partida em que o Brasil quase conseguiu levar para um tiebreak.

- Chegar numa final não é fácil, vocês acham que a gente tem obrigação de chegar a uma final e não é bem assim. Somos seres humanos e chegar numa final é um grande orgulho para todo mundo. Queríamos o ouro, mas essa prata vale muito - disse Marcelinho, um dos poucos jogadores que teve disposição de falar com a imprensa após a derrota.

André Heller declarou: "Lutamos até o fim e estamos tristes porque perdemos a oportunidade de nossa vida. Não sei se num futuro próximo estaremos todos juntos", disse o meio-de-rede. "A gente cultivou coisas muito boas aqui e isso não vai se apagar com uma derrota", completou o jogador que, ao descrever o que aconteceu no jogo deste domingo, afirmou apenas: "Perdemos de 3 a 1".

Momento de calma

Com Bernardinho, a seleção brasileira foi, além dos títulos da Liga Mundial, medalha de ouro nos Jogos de Atenas, bicampeã da Copa do Mundo, bicampeã do Campeonato Mundial e conquistou a Copa dos Campeões em 2005.

Para o treinador, o momento é de reflexão depois de o Brasil ser por tanto tempo referência no vôlei mundial. Bernardinho ainda não definiu se continuará no cargo para o próximo ciclo olímpico porque, segundo ele, é preciso se definir o que será melhor para a seleção brasileira.

- Tenho que analisar o que eu aprendi e o que posso acrescentar para o Brasil mais para frente. Vou ter essa disposição de continuar? É um momento de calma, no momento estou ainda, vou continuar trabalhando. Vamos ver o que é melhor para quatro anos - disse o técnico.

Segundo ele, a saída de alguns jogadores da equipe é um processo natural de renovação e, apesar da ausência de Gustavo, Anderson e Giba, o time poderá continuar contando com outros jogadores que participaram desta Olimpíada.

- Temos perfeitamente para ficar (no grupo): Murilo, Dante, Rodrigão, André Heller, Bruno, Samuel - disse o técnico.

- A minha tristeza é saber que não vou conviver com o Gustavo e alguns jogadores no próximo ano. Mas você segue em frente. Queria que eles tivessem concluído com o ouro - acrescentou.

Na expectativa de Bernardinho, o levantador Bruno, seu filho tem condições de ser um futuro líder do time de vôlei do Brasil.

- Espero como treinador que ele se torne um líder dessa próxima geração porque ele tem personalidade para isso. É um bom jogador e, principalmente, o que ele aprendeu nesses dois anos de seleção vai dar a ele condição de empunhar a bandeira de uma seleção brasileira - disse Bernardinho.

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