Rio de Janeiro, 01 de Setembro de 2026

Segurança: falso coronel supervisionou ação na Ilha

No dia 4 de agosto, na 37ª DP (Ilha do Governador), o falsário Carlos da Cruz Sampaio Júnior declarou que supervisionava uma operação de PMs no bairro Moneró, na Ilha, quando fez um registro por roubo e auto de resistência sobre a morte de um ladrão de carro por policiais militares. Na época, apresentou-se como coordenador de Análise e Integração da Secretaria de Segurança Pública.

Terça, 19 de Outubro de 2010 às 15:07, por: CdB

No dia 4 de agosto, na 37ª DP (Ilha do Governador), o falsário  Carlos da Cruz Sampaio Júnior declarou que supervisionava uma operação de PMs no bairro Moneró, na Ilha, quando fez um registro por roubo e auto de resistência sobre a morte de um ladrão de carro por policiais militares. Na época, apresentou-se como coordenador de Análise e Integração da Secretaria de Segurança Pública. Sampaio Júnior foi preso na última quinta-feira por porte ilegal de arma e falsidade ideológica. O roubo teria ocorrido perto do local onde os policiais faziam operação. Na fuga, o ladrão deparou-se com as patrulhas, trocou tiros e foi baleado. Em depoimento, Sampaio disse não ter efetuado nenhum disparo, mas que “partiu em auxílio daqueles policiais”. Ele afirmou que “estava supervisionando uma sequência de operações visando a diminuir a criminalidade nas áreas acima da média visada pela Secretaria de Segurança”.  A PM abriu sindicância para apurar, em 20 dias, a relação de Sampaio com os batalhões. A certeza de que a fraude nunca seria descoberta era tanta que o falso tenente-coronel figura em outro registro onde se declara militar. Em agosto de 2009, ele fez queixa na 20ª DP (Vila Isabel) pelo roubo de sua carteira, cartões bancários e documentos, entre eles, a falsa identidade militar. Policiais da 4ª DP (Central) estiveram ontem à tarde na casa do falso oficial e intimaram o pai dele, o militar Carlos Sampaio, a depor como testemunha. O delegado Ricardo Dominguez acredita que o pai pode ajudar a polícia a descobrir o motivo de o filho ter falsificado os documentos. A investigação da PM será chefiada pelo coronel Paulo Mouzinho, comandante do 4º CPA (Niterói). Já na Secretaria de Segurança, a delegada Milena Oliveira será responsável pela apuração. A carteira apreendida com Sampaio aponta pelo menos 10 irregularidades, algumas delas, primárias. O documento é assinado por um capitão, o que não é permitido, já que é de uma patente inferior ao do suposto tenente-coronel. Em uma área onde aparece a indicação de promoção, não consta a publicação do Diário Oficial da União e a data é de 25 de dezembro de 2010. Na carteira de Sampaio, o nome da mãe aparece primeiro, mas nas identidades militares o nome do pai vem antes. Segundo investigações, o número do documento constaria como dependente de Carlos da Cruz Sampaio, o pai do falso tenente-coronel. O documento teria sido emitido dia 30 de julho de 2010, 18 dias após Sampaio ser contratado pela Secretaria de Segurança. De acordo com policiais que conheceram Sampaio, ele só apresentava cópia colorida do documento, nunca o original. Dois vídeos divulgados no Youtube no último sábado mostram o falso tenente-coronel Carlos da Cruz Sampaio Júnior, que trabalhava na Secretaria Estadual de Segurança, comandando um curso de tiros para PMs. O falso militar foi preso usando uma carteira de identidade adulterada do Exército e um revólver calibre 38, na última quinta-feira.

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