Três mil policiais vigiam, nesta segunda-feira, alguns importantes locais da cidade de Jerusalém por causa dos festejos por Israel da "reunificação" após a guerra de 1967, que completa 38 anos.
A celebração dos israelenses pela "reunificação" era motivo de protesto entre os palestinos, que lembram a anexação ao território de Israel de mais de vinte de seus bairros e aldeias após essa "guerra dos seis dias".
Milhares de pessoas participarão durante o dia de marchas festivas, que começaram ontem, com uma de 16.000 agricultores, em homenagem à cidade, declarada em 1981 "capital indivisível e eterna de Israel e do povo judeu".
Com a exceção de El Salvador e Costa Rica, nenhum outro país da ONU reconhece Jerusalém como capital de Israel, cujo Governo tem sua sede na parte ocidental, a "Jerusalém judia", desde 1949, um ano após sua fundação.
Em Jerusalém oriental e nas aldeias anexadas duas semanas depois dessa guerra, reside a maior comunidade palestina urbana da Cisjordânia com 230.000 membros entre os mais de 600.000 habitantes.
Em algumas das aldeias anexadas, como Isawíe e Yabel Mukaber, podiam ser vistos hoje panos negros de luto e cartazes afirmando que "Jerusalém é a capital da Palestina".
A Autoridade Nacional Palestina (ANP), presidida por Mahmoud Abbas, exige a devolução da cidade antiga e dessas localidades para estabelecer a capital de um futuro Estado palestino independente.
Esta exigência é um dos pontos mais conflituosos entre os que a ANP e Israel terão que negociar no momento de fixar as fronteiras se o processo de paz prosperar.
Ao contrário de Jerusalém, em cuja direção rezam os judeus de todo o mundo desde a destruição de seu templo por Roma, no ano 70 da era cristã, Israel não anexou formalmente outros territórios da Cisjordânia, ou de Gaza, que ocupou em 1967.
O chefe da polícia de Jerusalém, inspetor Ilán Franco, devia decidir hoje, segunda-feira, se autorizará o ingresso de militantes nacionalista a orar no Monte do Templo, a colina de Haram el-Sharif onde se encontram as mesquitas sagradas de al-Aqsa e o "Domo da Rocha".
Após a guerra de 1967, por ordem judicial a fim de "não ofender os sentimentos dos muçulmanos", os judeus são proibidos de rezar na esplanada das mesquitas, palco de sangrentos distúrbios durante a primeira e a segunda "Intifada", os levantamentos de 1987 e de 2000 contra a ocupação israelense.
Grande quantidade de efetivos policiais montam guarda na parte antiga diante da possibilidade de os extremistas israelenses, que acusam o governo de "entregar aos árabes a soberania no Monte do Templo", tentarem chegar às mesquitas pela força.
Jerusalém - assim como as comunidades judia e palestina - ficou dividida após a primeira guerra árabe-israelense, que estourou em 1948, horas depois da proclamação em Tel Aviv do Estado israelense.
Um dos piores aspectos da derrota dos exércitos árabes em 1967, para os israelenses - que devido a essa divisão não podiam visitar seu principal santuário, o Muro das Lamentações - é a "reunificação".
Durante os 19 anos em que Jerusalém permaneceu dividida, esse setor oriental da cidade, assim como a Cisjordânia, estiveram sob controle da Jordânia.
Segurança é reforçada no aniversário de reunificação de Israel
Segunda, 06 de Junho de 2005 às 03:34, por: CdB