O Brasil está disposto a manter suas tropas no Haiti, comandando uma força de paz da Organização das Nações Unidas (ONU), por mais tempo do que os seis meses originalmente previstos para a estabilização do país, mas não por prazo indefinido, disse o ministro da Defesa, José Viegas. Cerca de 1.200 militares se prepararam para a maior missão de paz já feita pelo Brasil.
Viegas pediu à comunidade internacional 'um esforço sério' para ajudar na reconstrução do país mais pobre das Américas, que neste ano teve uma revolta armada que levou à deposição do presidente Jean-Bertrand Aristide. Ele afirmou que o contingente brasileiro está preparado para qualquer situação imprevista no Haiti. As inundações desta semana, que mataram pelo menos 1.660 pessoas, podem complicar a missão brasileira.
O país vai substituir no dia 1° de junho uma força interina de 3.600 soldados, liderada pelos EUA, que está lá desde a revolta de fevereiro. Na última terça-feira, Washington anunciou a retirada de todos os seus 1.900 militares do Haiti até o final de junho, conforme a nova força da ONU for se instalando. Atualmente, as forças internacionais estão ajudando as vítimas das enchentes.
- Estamos conscientes de que não é realista esperar que em seis meses estejam já plenamente restauradas as condições de estabilidade no Haiti - disse Viegas em entrevista na noite da última quarta-feira.
- Imaginamos que a permanência pode ser mais longa do que isso, agora não indefinidamente longa - disse.
Em abril, o Conselho de Segurança da ONU aprovou o envio de até 5.700 soldados e 1.622 policiais civis para um período de seis meses no Haiti. Viegas disse que novas resoluções da ONU serão necessárias para prorrogar o mandato. O governo também teria de buscar o aval do Congresso para a extensão.
Até agora, o Chile prometeu enviar 650 soldados, e a Argentina, 500. Para Viegas, isso é um exemplo do compromisso do Brasil e da América do Sul como um todo com a missão de paz.
- Isto mostra com nitidez a colaboração que o Brasil e a América do Sul deveriam e devem dar à ONU na defesa da paz e da segurança internacional - afirmou Viegas.
- Nós nos sentimos honrados com o convite para comandar a força - acrescentou o ministro.
A participação brasileira na missão haitiana agrada aos Estados Unidos e representa uma oportunidade de o governo Lula se firmar como um mediador de crises regionais e ganhar influência no cenário mundial. Viegas disse que o Haiti não terá uma estabilidade duradoura se não receber ajuda internacional.
Ele lembrou o que aconteceu em 1994, quando os EUA intervieram para restituir o poder de Aristide, então afastado por um golpe. Logo depois, a comunidade internacional deu as costas para o presidente haitiano e reduziu a ajuda.
- É uma situação de instabilidade social e política, de maneira que não existe uma solução apenas militar para esse problema - disse Viegas.
- Na ausência de um esforço sério da comunidade internacional para satisfazer as carências da população haitiana não há possibilidades de uma solução de longo prazo - disse.
O Brasil está enviando ao Haiti 850 soldados do Exército e 350 fuzileiros navais.
Segundo Viegas, missão no Haiti pode se estender
Sexta, 28 de Maio de 2004 às 00:02, por: CdB