Rio de Janeiro, 15 de Setembro de 2026

Segundo Lula, Brasil quer parceria política e comercial com a China

Quarta, 12 de Maio de 2004 às 00:09, por: CdB

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que vai desembarcar em Pequim no próximo dia 22 'com o time máximo', um grupo de oito ministros e mais Antonio Palocci, que vai se integrar à comitiva na passagem por Xangai, durante encontro do Banco Mundial, e mais cinco governadores que terão oportunidade de mostrar o que seus Estados têm a oferecer a investidores chineses.

Durante entrevista aos jornalistas que o acompanharão na viagem, Lula repetiu várias vezes que sua expectativa é a deque sejam feitos importantes negócios para o Brasil, mas destacou que a visita tem grande importância do ponto de vista político e também comercial.

- Vamos entrar em campo como nossa seleção máxima, nosso time máximo, para que nem a gente ganhe, mas também não deixe a China ganhar - brincou o presidente, que foi rapidamente emendado pelo chanceler Celso Amorim, que afirmou:

- Para que o Brasil ganhe e a China ganhe também - disse.

Durante a conversa, que durou mais de uma hora, o presidente Lula tentou fumar uma cigarrilha, mas desistiu:

- Dizem que presidente da República não pode fumar - afirmou ele ao secretário de Imprensa, Ricardo Kotcho, enquanto afastava o cinzeiro.

Lula destacou a importância de acordos comerciais com os chineses, observando que a China é hoje o terceiro mais importante parceiro comercial do Brasil, o primeiro da Ásia, tendo suplantado o Japão. Do ponto de vista político, o presidente disse que os dois países têm pontos de vista semelhantes quanto à ação perante às Nações Unidas e também à Organização Mundial do Comércio (OMC), onde os dois países querem discutir a questão dos subsídios a produtos agrícolas.

- Há uma variedade enorme de produtos em que podemos nos entender com a China. Desde a soja até o software, do satélite ao aço, das ferrovias ao petróleo - complementou o chanceler Celso Amorim.

Do ponto de vista político, Lula disse que a visita à China é mais um passo na política externa brasileira de ganhar parceiros na luta por mais espaço aos países em desenvolvimento junto à ONU e à OMC e, segundo disse o presidente, 'ter os votos para ganhar mercado deles (EUA e Europa) numa luta democrática, de que quem tem mais votos, ganha'.

- Nós queremos que o mundo desenvolvido flexibilize as questões agrícolas - disse o presidente, acrescentando, em seguida:

- O Brasil não pode ser coadjuvante no cenário político internacional, não tem necessidade de pedir licença, mas podemos criar um bloco para facilitar a ação dos nossos países, juntamente com África do Sul e Índia - disse o presidente.

Mais adiante, o presidente Lula reafirmou a tônica da política externa de seu governo, afirmando que ouviu críticas por enfrentar os Estados Unidos nos organismos internacionais.

- Lamentavelmente, tem gente que acha que nós não devemos brigar com os Estados Unidos, porque eles são fortes. Mas acho que cada país tem de lutar pela defesa de seus interesses, e nós temos de lutar pelos nossos interesses. Queremos respeitar os interesses dos outros, mas também queremos ser respeitados - disse.

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