Rio de Janeiro, 17 de Setembro de 2026

Segundo explorador, Ártico está cada vez mais quente

Terça, 18 de Maio de 2004 às 00:58, por: CdB

As temperaturas de verão no Ártico aumentaram a um ritmo alucinado nos últimos três anos e grandes blocos do que deveria ser gelo viraram água. A informação foi divulgada na última segunda-feira por um explorador britânico.

Ben Saunders, que foi forçado pelo clima quente a abandonar uma tentativa de esquiar sozinho a região polar, do norte da Rússia até o Canadá, afirmou que estava espantado com a quantidade de gelo derretida.

- É óbvio para mim que as coisas estão mudando muito, e muito rápido - disse Saunders, menos de dois dias após ter sido resgatado de uma fina capa de gelo próxima do Pólo Norte.

- Eu sei que isso realmente está acontecendo porque foi minha terceira vez no Ártico (nos últimos três anos) - disse, que explorou a região em 2001 e 2003.

Um estudo internacional divulgado no ano passado afirmou que o aquecimento global vai derreter a maior parte da calota polar do Ártico até o final do século. Muitos cientistas culpam as emissões de gases que provocam o efeito-estufa gerados pela atividade humana pela elevação da temperatura. Outros afirmam que se trata de um processo natural baseado em ciclos de aquecimento e esfriamento dos pólos.

- As temperaturas estão incrivelmente quentes... Houve dias em que pude esquiar sem precisar de luvas e chapéu porque estava muito quente - disse Saunders.

Registros de uma expedição em 2001 mostram que a temperatura média do Ártico nesta época do ano era de entre 20º a 15º Celsius negativos. Saunders disse que a temperatura média da região este ano ficou entre menos sete e menos cinco graus Celsius.

- Eu vi água em todos os dias da expedição, algo que não esperava - disse o explorador, que percorreu 965 quilômetros durante 71 dias de travessia solitária antes de desistir.

- Eu acho que uma travessia (da Rússia ao Canadá) é impossível se as condições continuarem as mesmas - afirmou.

Saunders planejou partir das ilhas árticas mais ao norte da Rússia em março mas, em vez de gelo, ele descobriu um trecho de 70 quilômetros de largura de água e teve de viajar de avião para outra área de gelo.

- O gelo estava terrível (...) está se tornando menos estável e está quebrando mais facilmente. Há enormes sulcos e enormes áreas do que eu chamo de cascalho - disse. 

Ele afirmou também ter ficado impressionado com a praticamente ausência de ursos polares no lado russo do Ártico, região conhecida por concentrações destes animais.

- Em 2001 fomos atacados no segundo dia da viagem e vimos pegadas de ursos praticamente todos os dias durante as primeiras três semanas. Este ano eu vi quatro trilhas de pegadas durante a expedição inteira - falou.
 
Saunders garantiu que o clima estava ruim durante a maior parte da viagem, com muito mais nuvens e neblina do que esperava. A neve nova que encontrou estava macia e volumosa, diferente da neve dura que geralmente é encontrada no Ártico.

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