O Departamento de Antigüidades de Israel anunciou nesta quarta-feira que o ossuário com supostas inscrições bíblicas relativas a Jesus e uma tabuinha de pedra apresentada como do século IX aC são falsificações. Shouka Dorfman, diretor do Departamento, deu uma coletiva de imprensa em Jerusalém para apresentar as conclusões - categóricas, segundo ele - das duas comissões encarregadas de verificar a autenticidade das duas peças arqueológicas, que foram alvo de polêmica por ocasião do anúncio de sua descoberta, em outubro de 2002. Composta por paleógrafos, geólogos, lingüistas e arqueólogos, as duas comissões chegaram à mesma conclusão: os dois objetos são falsificações realizadas recentemente. O primeiro objeto é um ossário no qual se poder ler a frase em aramaico: "Jacob, filho de José e irmão de Jesus". Este tipo de ossuário, no qual aparece gravada a identidade do morto, era corrente na época de Cristo. - Ao examiná-lo, descobriu-se que a inscrição foi gravada recentemente - afirmou Dorfman. A segunda peça arqueológica é uma tábua de pedra negra com uma inscrição fenícia atribuída ao rei judeu Jehoash, que reinou em Jerusalém no final do século IX aC. Esta inscrição de dez linhas evoca os "reparos ordenados no Templo" e se assemelha muito a uma passagem do Livro dos Reis. Se fosse autêntica, a inscrição teria sido a primeira prova histórica da existência do primeiro Templo de Jerusalém, do qual até agora nenhuma descoberta arqueológica havia demonstrado a existência. - Mas também nesse caso a inscrição é recente - afirmou Dorfman, dando abundantes explicações sobre o trabalho das comissões que a analisaram. As duas peças de antigüidade e origem duvidosas são propriedade de um colecionador israelense, Oded Golan, que alega tê-las comprado em um antiquário da Cidade Velha de Jerusalém, cuja identidade afirma ter esquecido. Os trabalhos das duas comissões israelenses duraram dois meses e meio. Os responsáveis do Departamento de Antigüidades de Israel não abordaram, no entanto, o aspecto jurídico da questão. De fato, uma investigação está em andamento em relação ao proprietário das duas peças, acusado de ser cúmplice da falsificação.
Segundo arqueólogos, urna mortuária com referência a Jesus é falsa
Quarta, 18 de Junho de 2003 às 11:17, por: CdB