Os iraquianos posicionaram elementos de quatro divisões regulares de seu Exército nas proximidades do Aeroporto Internacional Saddam, como parte de um esforço final para defender Bagdá, revelaram autoridades norte-americanas. A operação acontece em meio a notícias de que as tropas das forças anglo-americanas liderada pelos Estados Unidos encontram-se a entre 10 e 20 quilômetros da capital iraquiana. Ainda não está claro quantos soldados iraquianos integram o que parece ser um "cordão de isolamento" de Bagdá, descrito pelas fontes de Washington como um "segundo anel" de tropas regulares no entorno da cidade. Mais em direção ao centro da capital, encontra-se a maior resistência de Saddam: forças especiais da Guarda Republicana e homens dos serviços de segurança estão posicionados por toda Bagdá. Deste grupo fazem parte homens considerados bem mais treinados e melhor equipados do que as forças regulares que patrulham, por exemplo, os arredores do aeroporto internacional. As autoridades militares norte-americanas vêm, desde a última quarta-feira (31), enfatizando que a coalizão aproxima-se da etapa mais perigosa da guerra iniciada há duas semanas: o ponto da virada, quando o regime iraquiano perceber que estará prestes a perder o poder. As fontes disseram dispor de "informações recentes" confirmando um risco "alto" de o Iraque usar armas químicas contra as tropas anglo-americanas. Também há dados do serviço secreto indicando que o governo de Saddam Hussein pode começar a atacar áreas civis de Bagdá, matar pessoas e culpar os Estados Unidos. Bagdá às escuras Por volta das 21h (hora local) desta quinta-feira, Bagdá ficou às escuras pela primeira vez desde o início da guerra. O corte no fornecimento de energia elétrico foi precedido por uma onda de bombardeios aéreos. Mas este não foi o único dano sofrido pela infra-estrutura vital da região de Bagdá. A Cruz Vermelha Internacional informou que uma importante ponte sobre o rio Tigre foi bombardeada, o que impossibilita o acesso à capital a partir do sul. O porta-voz da Cruz Vermelha, Roland Huguenin-Benjamin, disse que havia prometido levar medicamentos e outros itens até um hospital ao sul de Bagdá, que no começo da semana recebeu dezenas de vítimas civis da guerra. Entretanto, com a destruição da ponte, Roland não teve como cumprir a promessa. Ainda segundo o porta-voz, o trânsito de veículos e pessoas pelas ruas da capital iraquiana sofreu uma redução sensível nesta quinta-feira, já repercutindo as notícias sobre a proximidade das tropas da coalizão ocidental. "O barulho de bombardeios praticamente ininterruptos (na periferia da cidade) pode ter convencido as pessoas a não sair", comentou Roland. "Mas ainda há os que vão à rua, alguns até para fazer compras".
"Segundo anel" de defesa em Bagdá é criado pelo Iraque
Quinta, 03 de Abril de 2003 às 12:15, por: CdB