A Organização das Nações Unidas (ONU) afirma que a falha na oferta de auxílio às vítimas do terremoto no Sudeste da Ásia fez desta uma operação humanitária pior do que a verificada depois do tsunami de dezembro passado.
O chefe de ajuda de emergência da ONU, Jan Egeland, disse em Genebra, na Suíça, que a organização nunca deparou com um "pesadelo logístico" tão grande.
A Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte, a aliança de defesa ocidental) começou a transportar por avião nesta quinta-feira 900 toneladas de suprimentos que estão em armazéns na Turquia, mas Egeland disse que também há necessidade de transporte maciço de pessoas que estão em áreas remotas.
O Paquistão diz que mais de 47 mil pessoas morreram nas áreas sob o seu controle.
Autoridades locais acreditam que o número de vítimas fatais é maior. Pelo menos 1,4 mil pessoas morreram na região da Caxemira administrada pela Índia.
Egeland disse que é necessária uma operação aérea das dimensões da realizada durante o bloqueio de Berlim na década de 40, quando os aliados transportaram suprimentos para a cidade, na parte leste, comunista, da Europa.
Segundo ele, dezenas de milhares de desabrigados e feridos têm que ser retirados de áreas remotas antes da chegada do inverno.
O tsunami de 26 de dezembro matou mais de 200 mil pessoas em várias áreas em torno do Oceano Índico.
A situação pós-terremoto está se agravando a cada dia que passa, disse Egeland.
Dezenas de milhares de tendas serão enviadas ao Paquistão nas próximas semanas, embora a ONU tenha advertido que pode não haver um suprimento suficiente de tendas apropriadas para o inverno para atender às necessidades das vítimas do terremoto.
Egeland disse que apenas US$ 86 milhões foram prometidos dos cerca de US$ 550 milhões pedidos pela ONU para a operação de ajuda, e pouco veio em dinheiro.
Anteriormente, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, pedira o aumento da ajuda para socorrer três milhões de pessoas que perderam suas casas depois do terremoto de 8 de outubro.
Após o tsunami, 92 países ajudaram as vítimas, mas apenas de 15 a 20 responderam ao apelo apresentado após o terremoto, disse Egeland, segundo a agência de notícias Reuters.
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