Rio de Janeiro, 26 de Setembro de 2026

Segundo a OMS, 10 mil podem morrer em Darfur em julho

Quinta, 01 de Julho de 2004 às 23:14, por: CdB

Cerca de 10 mil pessoas podem morrer de cólera e disenteria na região sudanesa de Darfur em julho, caso não haja uma operação para levar alimentos e remédios por helicóptero, informou na última quinta-feira a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Uma epidemia de cólera pode surgir nas próximas semanas por causa das fortes chuvas desta época, atingindo entre 200 e 300 mil pessoas na região, de acordo com a entidade. Há cerca de 1 milhão de refugiados na região.

A situação em Darfur é atualmente a pior crise humanitária do mundo, por causa da ação de milícias árabes que estão expulsando agricultores negros de suas aldeias, numa campanha de limpeza étnica, segundo a ONU.

- Prevemos que, se as coisas continuarem assim, 10 mil pessoas vão morrer no próximo mês - disse David Nabarro, diretor da unidade da OMS para crises, em entrevista coletiva em Genebra, após viagem a Darfur.

- Entretanto, se tivermos uma operação forte e efetiva, podemos diminuir a taxa de mortalidade para menos de 3.000 pessoas no próximo mês - disse ele.

Nabarro afirmou que isso pode ser feito com ações contra a diarréia, a cólera, a disenteria, a malária e outras doenças infecciosas. Na década passada, uma epidemia de cólera entre refugiados ruandeses matou dezenas de milhares de pessoas.

A OMS espera enviar 50 funcionários a Darfur neste mês, disse Nabarro, que elogiou o trabalho de ONGs como a Médicos Sem Fronteiras.

Veterano de crises sanitárias, Nabarro afirmou que a operação de emergência vai necessitar de 20 helicópteros e de rádios de alta freqüência para a comunicação entre os funcionários e os mais de cem campos de refugiados. Ele acrescentou que essa operação está 'realmente além do que nós da ONU podemos fazer por conta própria'.

- Darfur é maior do que os Bálcãs, e certamente maior do que o Iraque e o Afeganistão - disse.

Reformar os 13 hospitais da região sudanesa, colocando-os em condições de fazer cirurgias e consultas segundo os 'padrões básicos', é a atual prioridade da OMS, segundo Nabarro.

- Queremos água, saneamento, coleta de lixo e redes contra moscas nos hospitais. Temos de garantir que as pessoas não tenham de pagar subornos para ter acesso às instalações de saúde, nem pagar taxas aqui e ali, porque isso afinal é uma crueldade - falou.

A OMS já gastou 4 milhões de dólares que recebeu dos Estados Unidos em projetos sanitários em Darfur, e vai pedir mais 4,5 milhões de dólares nos próximos três meses, segundo ele.
O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, visitou a região e garantiu que os refugiados não serão obrigados a voltarem para suas casas.

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