O dólar fechou em forte alta nesta segunda-feira, refletindo o temor generalizado dos investidores com as perspectivas dos mercados financeiros globais, após o colapso do banco de investimento Lehman Brothers. Mas o movimento aconteceu em uma sessão de baixo volume de negócios.
O dólar subiu 1,74%, a 1,812 real. A divisa, que subiu em dez das onze primeiras sessões de setembro, acumula alta de mais de 11% neste mês.
Os principais mercados financeiros mundiais despencaram após o pedido de proteção contra falência do Lehman Brothers e o acordo de venda do Merrill Lynch para o Bank of America
Em Nova York, os índice Dow Jones e S&P 500 mergulhavam mais de 3%, com as ações do AIG perdendo mais de 50% de seu valor.
A pessimismo dos investidores com a saúde das principais instituições financeiras globais foi fortemente sentida também no mercado acionário doméstico. A Bolsa de Valores de São Paulo perdia mais de 7%, enquanto o risco país saltava 38 pontos básicos.
Segundo Paulo Fujisaki, analista de mercado da Socopa, o mercado cambial seguiu o pessimismo dos mercado externos, expondo o sentimento de que "enquanto não vier uma indicação de ajuda, o mercado vai continuar estressado."
Mas o analista ressaltou que a alta do dólar frente ao real tinha uma amplitude limitada, se comparada ao cenário dos mercados acionários.
- O (mercado de) dólar está segurando um pouco. Hoje é o primeiro dia da bomba. Existe uma esperança de que ainda possa vir uma ajuda - acrescentou o analista.
Segundo operadores, o volume parcial perto do fechamento da sessão era de aproximadamente 700 milhões de dólares, quando a média diária de setembro é de cerca de 3,2 bilhões de dólares.
Durante a sessão, o secretário do Tesouro norte-americano, Henry Paulson, afirmou que está preparado para tomar medidas adicionais, se for necessário, para garantir a estabilidade.
Vanderley Arruda, gerente de câmbio da Corretora Souza Barros, disse que "o mercado (cambial) também refletiu os movimentos das commodities internacionais e do euro.
O índice Reuters-Jefferies de commodities recuava 3,27%, puxado principalmente com o petróleo, que atingiu o menor patamar em sete meses. O euro também recuava frente à moeda norte-americana.