Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

Seguidores do califa enterram pessoas vivas e sequestram mulheres no Iraque

Domingo, 10 de Agosto de 2014 às 12:32, por: CdB
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Soldados curdos observam a movimentação de tropas do califado no norte do Iraque
Militantes do Estado Islâmico, seguidores do califa Abu Bakr al-Baghdadi, mataram ao menos 500 pessoas da minoria étnica iraquiana Yazidi durante sua ofensiva no norte, afirmou à agência inglesa de notícias Reuters neste domingo o ministro de Direitos Humanos do Iraque. Mohammed Shia al-Sudani afirmou que os militantes sunitas também enterraram vivas algumas de suas vítimas, incluindo mulheres e crianças. Cerca de 300 mulheres foram sequestradas como escravas, completou ele. – Temos evidências notáveis obtidas juntos aos Yazidis que fugiam de Sinjar e a alguns que escaparam da morte, e também imagens da cena do crime que mostram que as gangues do Estado Islâmico executaram ao menos 500 Yazidis após tomarem Sinjar – disse Sudani em entrevista por telefone, em sua primeira declaração à imprensa sobre a questão. Sinjar é a antiga casa dos Yazidis, uma das cidades capturadas pelos militantes sunitas que consideram a comunidade "adoradores do diabo" e dizem que eles devem se converter ao Islã ou enfrentar a morte. Acabou ao meio-dia de domingo um prazo para que 300 famílias Yazidi se convertam ao Islã ou enfrentem a morte nas mãos dos militantes. Não ficou imediatamente claro se o ministro iraquiano estava falando sobre o destino dessas famílias ou sobre outros no conflito. – Algumas das vítimas, incluindo mulheres e crianças, foram enterradas vivas em sepulturas comuns espalhadas em e ao redor de Sinjar – disse Sudani. As declarações do ministro podem aumentar a pressão sobre os Estados Unidos – que têm realizado ataques aéreos contra alvos do Estado Islâmico em resposta aos últimos avanços do grupo em direção ao norte – para que forneça mais suporte. – Em algumas das imagens que obtivemos existem filas de Yazidis mortos que levaram tiros na cabeça enquanto os combatentes do Estado Islâmico comemoram e balançam suas armas sobre os corpos. Essa é uma atrocidade cruel – disse Sudani. O Estado Islâmico, que declarou um califado em partes do Iraque e da Síria, levou milhares de Yazidis e cristãos a fugirem para salvar suas vidas durante seu avanço para perto da capital regional curda Arbil. Os Yazidis, seguidores de uma religião antiga derivada do zoroastrismo, estão espalhados ao longo do norte do Iraque há milênios e fazem parte da minoria curda do país. Ofensa a Deus Em sua pregação de domingo, no Vaticano, o papa Francisco afirmou que a violência e a destruição no Iraque ofende Deus e a humanidade e fez uma oração silenciosa pelas vítimas do conflito na cidade de Sinjar. – Ficamos incrédulos e assombrados com as notícias provenientes do Iraque. Milhares de pessoas, entre elas muitos cristãos, foram expulsas brutalmente de suas casas, crianças morrendo de fome e sede ao fugirem, mulheres sequestradas, pessoas massacradas, violência de todos os tipos, destruição em todos os lugares...Tudo isso ofende profundamente Deus e ofende profundamente a humanidade – disse o pontífice, dois dias depois de os EUA terem dado início a ataques aéreos para conter uma insurgência que ameaça o país. Um silêncio tomou conta da multidão na Praça de São Pedro depois que Francisco interrompeu seu discurso preparado para pedir um momento de silêncio. Francisco agradeceu os voluntários no Iraque e disse que seu enviado pessoal, o cardeal Fernando Filoni, irá para o Iraque na segunda-feira "para garantir àquelas pessoas queridas que estou perto delas". Novos bombardeios Ainda neste domingo, a força aérea norte-americana promovia novos ataques a alvos do Estado Islâmico próximos a Arbil, a capital da região curda semiautônoma do Iraque, afirmou o comando central militar dos EUA. Os ataques, promovidos por drones e caças dos EUA, tiveram como objetivo proteger as forças Peshmerga curdas que enfrentam militantes islâmicos perto de Arbil, local que abriga um consulado dos EUA e um centro de operações conjuntas entre Estados Unidos e Iraque, afirmou o comando central em comunicado. "Aproximadamente às 2h15 da manhã, aeronaves norte-americanas atingiram e destruíram um caminhão do Estado Islâmico que disparava contra forças curdas localizadas nas proximidades de Arbil", afirmou o comando central. Outros quatro ataques a caminhões armados e posições de artilharias se seguiram, disse a nota. O governo Obama começou na semana passada uma campanha de ataques aéreos e envio de ajuda humanitária por ar no norte do Iraque, onde militantes ameaçam minorias religiosas e a capital curda. Os ataques são os primeiros promovidos por Washington desde que o presidente Barack Obama ordenou a retirada das tropas norte-americanas do Iraque em 2011.
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