Rio de Janeiro, 06 de Outubro de 2026

Segredo bancário perto do fim

Segunda, 23 de Fevereiro de 2009 às 15:31, por: CdB

O segredo bancário suíço, atração principal dos bancos suíços, onde estão depositados três mil bilhões de dólares, está recebendo golpes mortais dos EUA e agora é a União Européia que fala em fim dos paraísos fiscais.
 
A atual crise envolvendo o segredo bancário suíço não é a primeira.
O segredo bancário suíço virou escândalo público quando, em 1976, o sociólogo suíço, Jean Ziegler, publicou um livro bestseller traduzido em todo mundo – A Suíça acima de qualquer suspeita, contanto como os bancos suíços eram cavernas de Ali Babá recebendo o dinheiro dos fraudadores do fisco, de ditadores e políticos corruptos de todo o mundo.
 
Paradoxalmente, é a União de Bancos Suíços, maior banco suíço, que, por ter incentivado a fraude fiscal dentro dos EUA, criou condições para se acabar com o segredo bancário.
Mas como surgiu o segredo bancário, base da praça financeira de Zurique e da riqueza suíça ?
James Nason, chefe de comunicação da Associação dos Banqueiros Suíços nos conta –
 
“Há uma origem diversa dos interesses políticos suíços na criação do segredo bancário. Em 1929, houve o grande crash econômico, milhares de bancos faliram no mundo e as autoridades queriam ter acesso direto às contas o que criava temores e inspirou os suíços numa proteção pessoal dos dados bancários, havia também o risco de espionagem e os temores dos judeus que queriam proteger seus capitais, portanto razões diversas levaram ao segredo bancário em 1934”.
 
Em 1986, houve uma iniciativa popular para que acabasse com o segredo bancário, derrotada por mais de 80% dos votos. Diante do escândalo UBS, o dirigente do Partido Socialista suíço propõe – e isso é inédito – o fim do segredo bancário. Mas existem condições atuais para o povo suíço rejeitar a fonte principal de sua riqueza ?
 
“Todo ano, diz James Nason, da Associação dos Banqueiros Suíços, fazemos uma pesquisa de opinião junto ao povo sobre os serviços bancários e uma das questões é sobre o segredo bancário. Ora, o apoio é sempre marcante por volta de 80% de opiniões favoráveis”.
 
Embora uma decisão atual do tribunal federal seja contrária à quebra do segredo bancário de clientes norteamericanos, a UBS já tinha enviados os nomes dos norteamericanos aos EUA, o que parece provar que os EUA são capazes de obrigar até um banco suíço a não respeitar o segredo bancário.
 
Por sua vez, James Nason, da Associação dos banqueiros suíços acha que isso é um desrespeito à soberania suíça. “Como a Suíça é um país independente e soberano, diz ele, acho que a Suíça está em condições de exigir que suas leis sejam respeitadas”.
 
Mas os EUA não querem perder tempo com discussões jurídicas e ameaçaram a UBS de multas astronômicas caso não colabore. As próximas semanas serão cruciais – pois diversos países europeus manifestam sua vontade de recolocar em questão a existência do segredo bancário para acabar com a evasão fiscal. Isolada e alvo de pressões, num momento de crise mundial, com seu maior banco podendo ser levado à falência, fica cada vez mais difícil para a Suíça defender o segredo bancário que poderá mesmo estar com seus dias contados.

Tags:
Edições digital e impressa