Dois ministros norte-americanos pediram na última quarta-feira ao Congresso que amplie o prazo para que 27 aliados dos Estados Unidos emitam passaportes que possam ser lidos por máquinas e contenham dados biométricos do portador.
Os secretários de Estado, Colin Powell, e da Segurança Doméstica, Tom Ridge, disseram a uma comissão parlamentar que é improvável que as nações beneficiadas com a não-exigência de visto consigam cumprir o prazo de 26 de outubro.
Eles disseram que todos os 27 governos envolvidos estão trabalhando para colocar chips de computador que incluam dados biométricos e fotos digitais nos passaportes, como querem os EUA. Eles pediram que o prazo seja prorrogado até 30 de novembro de 2006 para garantir que todos os países tenham chance de se adequar.
- Nenhum dos países maiores - por exemplo Japão, Reino Unido, França, Alemanha, Irlanda, Itália ou Espanha - vai começar a emitir passaportes com dados biométricos antes do prazo - disse Powell na audiência.
- O Japão e o Reino Unido dizem que só vão começar no final de 2005. Outros podem não aderir até bem adiante, em 2006 - falou.
Sob a nova lei, pessoas dos países isentos de visto terão que pedir o documento mesmo assim, caso até 26 de outubro não portem um passaporte atualizado. A lei foi aprovada depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, com o objetivo de melhorar a segurança. O Brasil não está na lista dos países dispensados dos vistos.
Exigir que cidadãos dos países privilegiados solicitem vistos pode acrescentar milhões de novos pedidos a um sistema que já está sobrecarregado, além de irritar os potenciais visitantes. A indústria do turismo diz que o prazo de 26 de outubro não é realista e pode custar bilhões de dólares ao setor, por causa do cancelamentos de viagens.
Powell e Ridge disseram que a prorrogação necessária para resolver problemas técnicos e garantir que os chips possam ser lidos por sistemas de todo o mundo.
Ridge disse que a decisão tomada neste mês, de ampliar a coleta de impressões digitais e fotos no desembarque, abrangendo cidadãos isentos de visto, vai garantir a segurança enquanto os países emitem os passaportes biométricos.
Vários parlamentares defenderam a prorrogação do prazo. Um deles, o deputado republicano James Sensenbrenner, lembrou que a premissa inicial da isenção de vistos - a de que cidadãos de determinados países representam pouco risco - já não é válida e, por isso, é necessário vigiar também cidadãos de países considerados aliados.
Por exemplo, Zacarias Moussaoui, que está sendo julgado por participação no 11 de Setembro, cidadão francês; Richard Reid, preso com explosivos em um avião, britânico; e vários dos acusados de participarem dos atentados contra os trens de Madri em março, que são espanhóis.
Secretários dos EUA podem ampliar prazo para novo passaporte
Quarta, 21 de Abril de 2004 às 23:51, por: CdB