Secretário do Tesouro, Arno Augustin contestou as críticas do deputado Fernando Coruja (PPS-SC) sobre a atitude do governo diante da crise internacional. Ele disse que respeita as opiniões contrárias e reafirmou que o governo está atento, está tomando as medidas que entende ser as necessárias e espera que o Brasil possa vencer este momento com o menor dano possível.
– Evidentemente que o governo está atento a todos os desdobramentos da crise internacional e tomou uma série de medidas e vai continuar agindo no sentido de que a crise que é internacional não tenha efeitos danosos para o Brasil – disse.
O secretário fez as afirmações ao deixar a reunião mensal na Comissão de Finanças da Câmara, para apresentar o resultado do Tesouro.
Mais cedo, Coruja criticou a posição do governo diante da crise. Segundo ele, é preciso urgência do governo para ir ao Congresso e explicar a situação.
– Estamos aqui na reunião. Mostrei os jornais, mas é o Titanic afundando e o cara tocando a orquestra – disse Fernando Coruja.
O deputado informou que foi convocado pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, para uma reunião na manhã desta quarta-feira. Meirelles embarca na manhã seguinte para os Estados Unidos, onde participa da reunião anual do Fundo Monetário Internacional (FM). Ele lembrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu que o Congresso participe da discussão da crise internacional. Para o deputado o governo demorou a tomar uma atitude.
– A própria medida provisória editada há dois dias lembra um pouco (o lançamento do) Plano Cruzado. Deixou para tomar a medida logo depois das eleições (municipais) – disse.
Coruja reclamou. Ele quer que o governo seja pró-ativo diante da crise e precisas informar mais a população.
– Não sabemos qual é a situação dos pequenos bancos e qual é a alavancagem dos bancos. Nós não temos informação aqui no Congresso sobre a realidade da crise – afirmou o parlamentar.
Para o deputado a queda nas bolsas mostra que o mercado está sinalizando que isso vai afetar a economia real, o consumo.Coruja participa da reunião da Comissão de Finanças da Câmara com o secretário do Tesouro Arno Augustin.
Sem mudanças
Augustin, em conversa com jornalistas, descartou qualquer mudança no Plano Anual de Financiamento (emissão de títulos pelo Tesouro para financiar a dívida pública durante um ano) diante da crise financeira internacional. Na véspera, o Tesouro suspendeu o leilão de venda de Notas do Tesouro Nacional série B, títulos corrigidos pela inflação, para aguardar condições adequadas.
– Estamos trabalhando com o Plano Anual de Financiamento conforme já divulgado. Estamos dentro da meta e vamos continuar com a mesma politica – afirmou.
Sobre a suspensão do leilão desta terça, ele disse que eventualmente “em dias de volatilidade” o Tesouro vai adotar essa postura.
– Nós não fazemos leilão. Não é a primeira vez que isso ocorre. Em dias de volatilidade alta se opta por aguardar o mercado ter um momento de maior tranqüilidade – afirmou.
Ele comentou o agravamento do cenário externo com a crise financeira dos Estados Unidos e disse que há preocupação do governo, mas mas a equipe econômica está atenta a isso. Augustin enfatizou que o país está reagindo a cada momento da crise e de forma adequada.
– Vamos continuar com essa política. Evidentemente que a deterioração traz conseqüências, mas continuamos a avaliar que os fundamentos do Brasil e a ação rápida que tem sido realizada vai evitar danos maiores ao país – acredita.
Arno Augustin esteve na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara, para apresentar o resultado do Tesouro. A reunião foi fechada à imprensa e se realiza mensalmente.