O secretário de Saúde do Rio, Sérgio Cortes, disse nesta quinta-feira que o estado vive uma epidemia de dengue, ao considerar "oportuna" a criação do gabinete de crise anunciada na quarta-feira pelo Ministério da Saúde.
— Estamos em um momento de epidemia de dengue. Temos que trabalhar nas ações de controle e de assistência, e é o que temos feito. Já trabalhamos diariamente com os secretários [de Atenção à Saúde, José Noronha, e de Vigilância Sanitária, Gerson Penna, que vão atuar junto com o governo fluminense no gabinete], mas agora vamos ter a presença física deles. Isso vai ser importante para agilizar alguns processos, algumas autorizações, que até então precisavam ser enviadas para Brasília e agora vão poder ser resolvidas daqui mesmo —, disse.
Segundo a nota divulgada na quarta-feira pelo Ministério da Saúde, a primeira tarefa do gabinete é levantar as necessidades de pessoal para trabalhar em caráter de emergência e definir as exigências na atenção à saúde da população de risco.
Segundo Cortes, uma reunião que estava marcada para a próxima segunda-feira, com a participação dos secretários de Saúde do estado e dos municípios da Baixada Fluminense, poderá ser antecipada para sexta-feira.
O secretário disse que é suficiente a atuação de 1.200 homens do Corpo de Bombeiros que estão trabalhando no combate às larvas da dengue, principalmente no bairro de Jacarepaguá, na Zona Oeste, que concentra o maior número de casos da doença.
Cortes informou que a secretaria deve criar nos próximos dias uma central de atendimento telefônico, pelo 0800, para receber denúncias da população sobre locais com focos do aedes aegypti, que serão checadas e combatidas pelos bombeiros.
O secretário disse que só na próxima quarta-feira as Forças Armadas devem se posicionar sobre a possibilidade de ceder leitos de suas unidades de saúde ao atendimento de pacientes com dengue. Até agora, segundo ele, não houve nenhum entendimento sobre o assunto.
Ainda de acordo com o secretario, serão criadas na próxima semana, três centrais de hidratação com capacidade de atender até mil pessoas por dia.
— Os pacientes recebem a hidratação, quando for o caso, em uma poltrona instalada sob uma estrutura própria para esse tipo de atendimento. Isso vai acelerar o atendimento e ajudar a evitar as complicações ou reduzir a incidência delas —, destacou.
Nesta quinta-feira, a Secretaria de Saúde abriu mais dez leitos de tratamento intensivo no setor de pediatria do Hospital Pedro II, em Santa Cruz, na Zona Oeste, e prometeu abrir mais 80 no setor de enfermaria de outras unidades na próxima semana. Ao todo, o estado oferece, agora, 205 leitos para o atendimento a pacientes com dengue.
O secretário de saúde do Rio também considerou exagerada a estimativa de que o número de casos de dengue no estado seja 30 vezes maior do que o anunciado pelos órgãos de saúde, conforme alerta divulgado na quarta-feira pelo infectologista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Edmilson Migovski.
— Esse número não tem base científica. Se fosse assim, uma em cada três pessoas estaria infectada e não é essa a realidade —, afirmou.
Ele defendeu, ainda, um trabalho rotineiro de combate à dengue durante todo o ano e disse que essa será a meta de trabalho para este ano, a fim de evitar nova epidemia no próximo verão.
— Estamos fazendo todos os esforços para enfrentar esse grave problema da dengue e isso não pode se resumir a uma campanha de combate, só agora. Estamos fazendo isso, o trabalho dos bombeiros não vai parar, vai continuar o ano todo. Além disso, estamos estudando outras estratégias com o Ministério da Saúde para dar continuidade ao trabalho —, disse sem dar detalhes sobre as estratégias
Secretário de Saúde diz que o Rio vive uma epidemia de dengue
O secretário de Saúde do Rio, Sérgio Cortes, disse nesta quinta-feira que o estado vive uma epidemia de dengue, ao considerar "oportuna" a criação do gabinete de crise anunciada na quarta-feira pelo Ministério da Saúde. (Leia Mais)
Quinta, 20 de Março de 2008 às 13:30, por: CdB