Rio de Janeiro, 14 de Setembro de 2026

Secretário de justiça dos EUA promete medidas contra torturas no Iraque

Sexta, 07 de Maio de 2004 às 01:53, por: CdB

O secretário de Justiça dos Estados Unidos, John Ashcroft, disse na última quinta-feira que seu departamento tem jurisdição sobre alguns dos casos de abusos contra prisioneiros no Iraque e prometeu tomar as medidas cabíveis.

Em seus primeiros comentários públicos sobre o escândalo, Ashcroft disse que o Departamento de Justiça pode ter competência para processar alguns civis que foram contratados para trabalhar no Iraque, fora dos quadros militares, e também os soldados que violaram a lei e por isso tiveram de deixar os quartéis.

- Esse é o tipo de coisa que seria uma questão de sério interesse para o Departamento de Justiça - afirmou ele em entrevista coletiva, acrescentando que o departamento não tem intenção de prejudicar as investigações que estão sendo feitas pelo Pentágono.

- Não quero sugerir que o Departamento de Justiça seja a única agência com capacidade ou responsabilidade de atuar nessa área -  afirmou.

Segundo Ashcroft, a lei norte-americana contra tortura e a Lei da Jurisdição Militar Extraterritorial, de 2000, são aplicáveis nesse caso. Esta lei dá aos tribunais dos EUA jurisdição sobre crimes cometidos por funcionários civis que trabalham com militares no exterior.

A maioria dos casos de abuso deve ficar nas mãos da Justiça Militar. Pelo menos um deles, porém, já foi entregue pelo Pentágono ao Departamento de Justiça.

Trata-se da morte de um preso na penitenciária de Abu Ghraib, em Bagdá, em novembro de 2003, cometida por um civil que fazia interrogatórios para a CIA, segundo uma fonte militar.

Ashcroft não quis comentar casos específicos. Além desse homicídio, três outras mortes de prisioneiros, no Iraque e no Afeganistão, estão sendo investigadas pela CIA, já que teriam sido cometidas por civis contratados para os interrogatórios.
 
- Estamos obviamente chocados com a conduta que viola os direitos dos detentos, e vamos tomar as medidas apropriadas dentro da jurisdição do Departamento de Justiça - afirmou ele.

Como outros funcionários do governo, Ashcroft se disse 'chocado e assustado' com as fotos divulgadas na última semana, que mostram presos empilhados e simulando atos sexuais diante de risonhos militares.

- Afinal, o objetivo do nosso envolvimento no Iraque é evitar a brutalidade e substituir a brutalidade e a ameaça de Saddam Hussein - afirmou.

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