O enterro do diretor do presídio de Bangu 3, tenente-coronel José Roberto Lourenço do Amaral, assassinado na manhã da última quinta-feira, foi marcado por críticas à falta de segurança no local onde o diretor da unidade foi morto com 60 tiros, a Avenida Brasil.
O Secretário de Administração Penitenciária do Rio, César Rubens Monteiro de Carvalho, confirmou que o tenente-coronel dispensou o uso de carros blindados e a escolta pessoal, o que, segundo ele, não impediria o crime. "Não existe blindagem que suporte 60 tiros de fuzil compactos no mesmo ponto. Não havia hipótese de ele sobreviver”, disse.
Para o secretário, o "grande questionamento" deve ser em relação à falta de segurança no local. "O que a gente tem que avaliar é até que ponto dez pessoas andam em dois veículos, com dez fuzis, às 8 horas da manhã, em uma via pública, urbana, e executam um plano que elaboraram.”
O comandante geral da Polícia Militar, Gilson Pitta Lopes, também esteve no enterro. Ele rebateu as afirmações do secretário ao dizer que a PM está em todo o estado, demonstrando trabalho por meio de prisões, apreensões e enfrentamentos. "A Avenida Brasil é uma via de trânsito rápido. Cabe à PM o patrulhamento motorizado, feito por nossos batalhões”, garantiu.
O comandante disse também que a corporação ajudará nas investigações. “Se necessário for, para chegarmos a esses algozes, estaremos presentes”. Até agora, nenhum suspeito foi identificado.
Durante o enterro, as duas autoridades prometeram retaliações aos envolvidos no assassinato, mas garantiram que não buscam vingança. O secretário de Administração Penitenciária acenou, por exemplo, com a redução de benefícios, caso os culpados sejam atuais presidiários.
- No tocante à parte administrativa, adotaremos todas as medidas que vão desde a suspensão de benefícios como visita íntima, visita e banho de sol com maior ou menor freqüência à redução de atividades na unidade. Tudo o que estiver na esfera administrativa - disse Monteiro.
Nesta sexta-feira, o Clube de Cabos e Soldados da PM ofereceu recompensa de R$ 2 mil por informações que levem aos responsáveis pelo crime. O telefone para denúncias é (21) 8181-7304.
José Roberto Lourenço é o sétimo diretor de presídio do Rio morto nos últimos oito anos. Ele foi enterrado com honras militares no Cemitério Jardim da Saudade. Compareceram ao local cerca de 500 pessoas.
Secretário de Administração Penitenciária do Rio faz críticas à falta de segurança na Avenida Brasil
Sexta, 17 de Outubro de 2008 às 15:52, por: CdB