Rio de Janeiro, 15 de Agosto de 2026

Secretaria Municipal de Saúde de BH está em alerta contra epidemia de catapora

Sexta, 05 de Setembro de 2003 às 01:53, por: CdB

Uma epidemia de catapora sem precedentes na história de Belo Horizonte deixa em alerta a Secretaria Municipal de Saúde (SMS).
 
Também conhecida como varicela, a doença, que provoca um gasto social muito grande devido ao seu alto grau de contágio e mata seis em cada 100 mil pacientes contaminados, registrou na cidade aumento de 90% nos oito primeiros meses do ano em relação a igual período de 2002.

A morte recente de uma criança forçou a SMS a deixar toda a sua rede em alerta epidemiológico, além de montar esquema especial de atendimento no Centro Geral de Pediatria (CGP), referência na capital para doenças infecto-contagiosas.
 
A vacina contra a catapora não é fabricada no Brasil. Sua distribuição na rede pública é limitada a pacientes com doenças imunodepressivas, como câncer e Aids, e em clínicas particulares a dose chega a custar mais de R$ 100.

- A situação é epidêmica. Surto é termo leve para defini-la - disse na última quinta-feira o secretário municipal de Saúde, Helvécio Guimarães, ao anunciar o avanço da doença na capital.

Até o final de agosto, de acordo com a SMS, foram notificados 960 casos (40% de pacientes do interior), 440 a mais do que nos oito primeiros meses do ano passado.

Para evitar que a epidemia se agrave, a Coordenadoria de Imunização da SMS apela aos diretores de creches e escolas que afastem seus alunos aos primeiros sintomas da doença.

Para garantir o acesso de todos à vacina, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) vem pressionando o Governo federal a incluir o medicamento no Programa Nacional de Imunização (PNI).

Desenvolvida no Japão em 1974, a dose chegou ao Brasil há aproximadamente seis anos e o custo ainda é muito alto, em média US$ 40.
 
- Apesar de se tratar de uma doença benigna na maioria das vezes, a pequena percentagem de crianças que têm casos complicados justifica a inclusão da vacina no PNI - diz a presidente do Departamento Científico de Infectologia da SBP, Regina Succi.

A especialista lembra que a catapora é uma doença endêmica, ocorre o ano inteiro, mas prevalece na época da primavera.
 
- É a estação da catapora - diz Regina Succi.

Ela observa que a redução no número de casos registrada há quatro anos fez aumentar agora o volume de crianças susceptíveis.
 
- Trata-se de uma doença extremamente contagiante, a mais contagiosa entre as demais, e o risco de adquiri-la é próximo de 100% - alerta.

Apesar de quase metade dos casos registrados na capital neste ano terem se originado em outros municípios, a Secretaria de Estado da Saúde (SEE) descarta haver um surto no Estado. A assessoria da SEE informou que neste ano foram registrados 832 casos, contra 951 em todo 2002.
 
O coordenador de Imunização da SEE, José Geraldo Ribeiro, no entanto, explica a discrepância entre os números da SMS e da SES. Ele observa haver subnotificação não só de catapora, mas de todas as doenças no Estado.
 
- Isso ocorre em função de uma série de procedimentos burocráticos, que atrasam os levantamento. A situação é preocupante em todos os municípios e por isso colocamos todos os centros de referência em alerta - disse.

Além de vitimar em maior escala as crianças, a catapora pode se manifestar, com maior gravidade, em gestantes e adultos, fase em que pode causar pneumonia, maior número de bolhas pelo corpo e outras complicações raras como trombocitopenia (diminuição das plaquetas, causando hemorragias e hematomas pela pele), artrite, hepatite, encefalite (inflamação do sistema nervoso) ou meningite.

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