Uma epidemia de catapora sem precedentes na história de Belo Horizonte deixa em alerta a Secretaria Municipal de Saúde (SMS).
Também conhecida como varicela, a doença, que provoca um gasto social muito grande devido ao seu alto grau de contágio e mata seis em cada 100 mil pacientes contaminados, registrou na cidade aumento de 90% nos oito primeiros meses do ano em relação a igual período de 2002.
A morte recente de uma criança forçou a SMS a deixar toda a sua rede em alerta epidemiológico, além de montar esquema especial de atendimento no Centro Geral de Pediatria (CGP), referência na capital para doenças infecto-contagiosas.
A vacina contra a catapora não é fabricada no Brasil. Sua distribuição na rede pública é limitada a pacientes com doenças imunodepressivas, como câncer e Aids, e em clínicas particulares a dose chega a custar mais de R$ 100.
- A situação é epidêmica. Surto é termo leve para defini-la - disse na última quinta-feira o secretário municipal de Saúde, Helvécio Guimarães, ao anunciar o avanço da doença na capital.
Até o final de agosto, de acordo com a SMS, foram notificados 960 casos (40% de pacientes do interior), 440 a mais do que nos oito primeiros meses do ano passado.
Para evitar que a epidemia se agrave, a Coordenadoria de Imunização da SMS apela aos diretores de creches e escolas que afastem seus alunos aos primeiros sintomas da doença.
Para garantir o acesso de todos à vacina, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) vem pressionando o Governo federal a incluir o medicamento no Programa Nacional de Imunização (PNI).
Desenvolvida no Japão em 1974, a dose chegou ao Brasil há aproximadamente seis anos e o custo ainda é muito alto, em média US$ 40.
- Apesar de se tratar de uma doença benigna na maioria das vezes, a pequena percentagem de crianças que têm casos complicados justifica a inclusão da vacina no PNI - diz a presidente do Departamento Científico de Infectologia da SBP, Regina Succi.
A especialista lembra que a catapora é uma doença endêmica, ocorre o ano inteiro, mas prevalece na época da primavera.
- É a estação da catapora - diz Regina Succi.
Ela observa que a redução no número de casos registrada há quatro anos fez aumentar agora o volume de crianças susceptíveis.
- Trata-se de uma doença extremamente contagiante, a mais contagiosa entre as demais, e o risco de adquiri-la é próximo de 100% - alerta.
Apesar de quase metade dos casos registrados na capital neste ano terem se originado em outros municípios, a Secretaria de Estado da Saúde (SEE) descarta haver um surto no Estado. A assessoria da SEE informou que neste ano foram registrados 832 casos, contra 951 em todo 2002.
O coordenador de Imunização da SEE, José Geraldo Ribeiro, no entanto, explica a discrepância entre os números da SMS e da SES. Ele observa haver subnotificação não só de catapora, mas de todas as doenças no Estado.
- Isso ocorre em função de uma série de procedimentos burocráticos, que atrasam os levantamento. A situação é preocupante em todos os municípios e por isso colocamos todos os centros de referência em alerta - disse.
Além de vitimar em maior escala as crianças, a catapora pode se manifestar, com maior gravidade, em gestantes e adultos, fase em que pode causar pneumonia, maior número de bolhas pelo corpo e outras complicações raras como trombocitopenia (diminuição das plaquetas, causando hemorragias e hematomas pela pele), artrite, hepatite, encefalite (inflamação do sistema nervoso) ou meningite.
Secretaria Municipal de Saúde de BH está em alerta contra epidemia de catapora
Sexta, 05 de Setembro de 2003 às 01:53, por: CdB