Sexo não tem idade, proteção também não. Este é o lema da campanha que o Ministério da Saúde (MS) lança nesta segunda-feira, primeiro de dezembro, Dia Mundial da Luta Contra Aids. Este ano, o foco do programa são pessoas heterossexuais com idade superior a 50 anos. No Rio de Janeiro, de acordo com pesquisas, o número de casos da doença ainda cresce, embora menos do que nos anos anteriores. No interior do estado, no entanto, há um aumento no número de contaminações.
Segundo dados do Programa Nacional de DST e Aids, 70% da população acima dos 50 anos é sexualmente ativa, mas apenas 22,3% usam preservativo, fator que facilita o aumento da doença entre pessoas com estas características. De 1996 a 2006, o número de contágio de homens heterossexuais acima de 50 anos dobrou.
No Rio de Janeiro, quarenta e seis municípios participam da campanha "Fique Sabendo", promovida pela Secretaria de Saúde e Defesa Civil (Sesdc), que fomenta o acesso ao diagnóstico precoce da doença como forma de evitar futuras contaminações, segundo informações do coordenador do Programa de Combate a Aids da Sesdc, Alexandre Chieppe.
– É grande o número de pessoas não diagnosticadas no Rio de Janeiro que não sabem do seu status sorológico para começar a receber tratamento – destacou Chieppe.
A campanha Fique Sabendo garante privacidade e sigilo a todos os participantes e acontece até o dia 05 de dezembro nos municípios de Angra dos Reis, Araruama, Areal, Barra do Piraí, Barra Mansa, Cabo Frio, Belford Roxo, Cachoeiras de Macacu, Campos, Casemiro de Abreu, Cordeiro, Duque de Caxias, Guapimirim, Itaboraí, Itaguaí, Itaperuna, Itatiaia, Japeri, Macaé, Magé, Mangaratiba, Maricá, Mendes, Mesquita, Natividade, Niterói, Nova Friburgo, Nova Iguaçú, Paracambi, Paty do Alferes, Petrópolis, Pinheiral, Piraí, Quatis, Quissamã, Resende, Rio das Ostras, Rio de Janeiro, Santo Antônio de Pádua, São Gonçalo, São João de Meriti, Seropédica, Três Rios, Valença, Vassouras e Volta Redonda.
De acordo com o estudo realizado pelo Ministério da Saúde em 2007, o diagnóstico precoce, seguido do acesso a medicamentos anti-retrovirais e do acompanhamento clínico adequado contribuíram para aumentar a sobrevida dos pacientes.
Sobre o atual perfil da doença no estado, Alexandre declarou que novas contaminações vêm ocorrendo na Baixada Fluminense.
– O índice flutua muito, principalmente na Baixada Fluminense por causa da interiorização da doença – disse o coordenador.
No Brasil, a maioria dos casos ainda incide sobre a faixa etária de 25 a 49 anos. A epidemia no país é considerada estável, sendo que a média anual de casos entre 2000 e 2006 é de 35.384 casos. Em relação ao HIV, a estimativa é de que existam 630 mil pessoas infectadas.
– O número de infectados no estado vem decrescendo, como em todos os outros grupos. Antes a doença prevalecia entre os homossexuais, mas hoje o número de heterossexuais infectados já superou. Há uma tendência de heterossexualização da epidemia, o comportamento homossexual perde em número de contaminados se comparado a dos outros grupos – ressaltou Alexandre.
No período de 1980 a junho de 2008, foram diagnosticados no país 11.796 casos de Aids por transmissão vertical (de mãe para filho). De 1996 a 2006, há queda considerável nessa categoria de exposição – de 892 para 379 casos notificados - uma queda de 57,5%.
– A partir de 1996, com a interrupção do ciclo de transmissão através da introdução do AZT em gestantes, o número de casos vem decrescendo. A profilaxia atinge 80% das gestantes. No Rio de Janeiro, cerca de 0,7% das gestantes são portadoras do vírus. Todos os hospitais do estado têm capacidade de fazer o tratamento e o parto da paciente portadora do HIV – afirmou Alexandre.
De acordo com o coordenador, o contágio ocorre na maioria das vezes por omissão no uso de preservativo.
– O contágio por drogas é pequeno se comparado ao contágio por via sexual. Quanto aos casos de infecção por transfusão, isto raramente acontece pois todos os bancos de sangue fazem o controle adequado a fim de evitar contaminações – declarou Alexandre.
O Boletim Epidemiológico Aids/DST aponta que de 1980 a junho de 2008 foram registrados 506.499 casos no Brasil, sendo que nesse período ocorreram 205.409 mortes em decorrência da doença. Do acumulado, a Região Sudeste é a que tem o maior percentual de notificações, 60,4% (305.725 casos). Porém a sobrevida das pessoas que vivem com Aids nas regiões Sul e Sudeste dobrou entre 1995 e 2007, sendo que o tempo médio de vida de adultos passou de 58 meses para mais de 108 meses.
A doença no país vem se estabilizando, no entanto os patamares ainda são elevados. A cada 100 mil habitantes em 2000, existiam 26,3 casos. Em 2006, a taxa passou para 28,3. No Sudeste, há discreta queda: de 24,4 em 2000 para 22,5 em 2006.
Na opinião da diretora do Programa Nacional de DST e Aids, Mariângela Simão, o mais importante é que as diversas intervenções adotadas ao longo dos anos potencializaram o impacto do programa brasileiro.
– Os resultados dos estudos de sobrevida são uma prova disso. Países como o Brasil, que ptaram pelo acesso universal ao tratamento na década de 1990, determinaram a mudança na história natural da doença. Em pouco mais de dez anos, a Aids deixou de ser uma sentença de morte – afirmou Mariângela.
Sociedade Viva Cazuza
O governador do Estado, Sérgio Cabral, e a Secretaria de Saúde e Defesa Civil assinaram, no último dia 24 de novembro, um convênio de 12 meses com a Sociedade Viva Cazuza, dando início a um projeto piloto no apoio ao tratamento de crianças e adolescentes que convivem com a doença.
Para que o trabalho possa ser realizado por outras instituições que atuem nesse mesmo tipo de assistência, a secretaria liberou apoio financeiro que vai gerar uma verba mensal de R$ 30 mil.
– É importante que todas as sociedades organizadas na luta contra a Aids, como a Viva Cazuza, estejam focadas não somente na assistência ao paciente, mas também na informação, que é com a qual nós vamos conseguir prevenir a doença – disse o secretário Sérgio Côrtes.
Na cidade do Rio de Janeiro alguns lojistas de Ipanema participam da campanha enfeitando suas vitrines com o laço vermelho, símbolo da campanha mundial contra a Aids, para alertar a população. Ao todo, as 26 lojas participantes vão vender camisetas exclusivas da campanha, estampadas com a personagem Radical Chic, do desenhista Miguel Paiva. A renda das vendas será entregue à Sociedade Viva Cazuza.
Secretaria de Saúde lança campanha contra a aids
Segunda, 01 de Dezembro de 2008 às 12:01, por: CdB