O ministro da Fazenda, Guido Mantega, vai substituir nesta semana a secretária da Receita Federal, Lina Maria Vieira, após a queda na arrecadação federal e também devido ao desgaste causado ao governo na disputa da Receita com a Petrobras sobre a forma de recolhimento de impostos pela estatal. A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, teria reclamado do desgaste causado pela ação descoordenada do governo.
Lina Vieira foi informada na quinta-feira de sua demissão. Primeira mulher a ocupar o cargo de secretária da Receita Federal, ela deixa o posto após uma gestão marcada por quedas consecutivas na arrecadação de tributos e uma ação investigativa que levou a Receita a descobrir que uma alteração no método contábil da Petrobras teria permitido à estatal a redução de R$ 4,3 bilhões em pagamento de impostos. Em nota oficial divulgada à época, a Receita expôs o expediente que deu origem à CPI da Petrobras, a ser instalada nesta terça-feira. Tanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto a ministra Dilma saíram em defesa da estatal. O presidente chegou chamar a oposição de agir de modo "irresponsável" ao insistir na CPI.
Lina Vieira também estava na linha de tiro de seus críticos por decisões administrativas e Lula questionou Mantega sobre a atuação da Receita. Uma das preocupações do presidente é que a queda de quase 7% registrada na arrecadação entre janeiro e maio não seja resultado só da crise mas de problemas no fisco, como a fiscalização. O nome do novo secretário deverá ser anunciado nesta semana. Entre os prováveis substitutos, estão o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Machado, que atualmente comanda, de maneira informal, a Receita. O presidente do INSS, Valdir Simão, e o ex-secretário de Fiscalização Paulo de Souza também foram citados aos jornalistas como alternativas.
Lina Vieira deixará o cargo após 11 meses de gestão. Ela substituiu Jorge Rachid, criticado por agir de forma independente e resistir às políticas defendidas pelo superior imediato, o ministro Mantega.
Após a queda da secretária, o secretário extraordinário de Reformas Econômico-Fiscais, Bernard Appy, também deverá deixar o cargo por decisão própria, uma vez que já externou sua insatisfação com a forma como o projeto da reforma tributária tem sido conduzido no Congresso, onde parou devido a impasses como a desoneração da folha de pagamento. O ministro prefere adotar a medida isoladamente, mas Appy já se manifestou contrário à decisão.