No início de 2002, Antonio Carlos Secchin lançou o “Guia dos Sebos”. Os motivos que o levaram a escrever esse guia foi a proliferação deste setor, que cresceu cerca de 75% nos últimos anos. Tal fenômeno pode ser explicado pelos elevados preços dos livros nas livrarias. Os leitores procuram ambientes que cobrem preços mais amenos. As editoras argumentam que o custo do livro é alto porque o papel está cada vez mais caro, e varia de acordo com o dólar.
A conseqüência dessa crise no mercado editorial pode ser vista em alguns sebos. A editoras vendem livros novos que encalham no estoque por preço de bananas. Ao entrar no sebo Beta de Aquarius, no Catete, o cliente se depara com uma banca que diz: “Saldo de livros novos, R$ 10,00”. A seleção é de impressionar. Best sellers atuais como Harry Potter ou obra de Gabriel Garcia Márquez, custando menos da metade do preço de tabela, e em estado semelhante ao da livraria.
Já os sebos tradicionais do Centro como o do Prédio Shopping Avenida Central ou o São José (um dos primeiros do país, fundado há 64 anos), tem várias utilidades. Viraram ponto de encontro entre amigos, serviço de consultoria literária, e até biblioteca.
Se livros novos estão muito caros e livrarias muito formais, a solução é a Feira do Livro. Criada há 46 anos, a feira oferece livros novos, semi-novos, usados e decrépitos, em diversas barracas ao ar livre. Atualmente a feira se encontra no Largo do Machado, zona sul do Rio, e na Tijuca, zona norte. No final do ano, estará na Praça Nossa Senhora da Paz, em Ipanema.
Como incentivo à cultura, a Municipalidade ofereceu aos organizadores do evento a isenção da Taxa de Utilização de Área Pública. Essa oferta caiu bem para os comerciantes independentes, que dependem exclusivamente da Feira do Livro e são minoria. Muitas das 30 barracas que compõe a feira são representantes de sebos, como a Elizart, tradicional no centro da cidade. Os preços dos livros variam de acordo com os títulos. É possível se encontrar, por exemplo, relíquias como “À Queima Roupa”, obra inaugural do Novo Jornalismo, de Truman Capote, por R$ 3,00. Já o “Livro de Ouro da Mitologia” sai há R$ 43,00, apenas R$ 2,00 mais barato do que em uma livraria. O segredo é garimpar nas diversas barracas que oferecem 3 livros por apenas R$ 5,00 e ter a felicidade de esbarrar em uma raridade como um “Pé na Estrada”, de Jack Kerouac, ou uma das obras de Harold Robbins traduzida por Nelson Rodrigues.
Sebo vira opção para universitários
Ser universitário no Brasil não é fácil. É comum ter despesas com mensalidades, transportes, alimentação, moradia e livros, muitos livros. Uma solução é “garimpar” livros nos Sebos. Por isso, o verbo comprar, vender e trocar é bastante conjugado por universitários em Curitiba.
— Hoje em dia está muito caro comprar um livro novo, e nos sebos sempre encontro os títulos que procuro. A cada começo de ano ou quando tenho um trabalho acadêmico, procuro livros usados— diz a estudante de Letras, Vanessa de Castro.
O proprietário da loja “Taborda – Livros Lidos”, Hemil Taborda, localizada na Av. República Argentina, Água Verde, em Curitiba, confirma que o baixo custo atrai os estudantes.
— É bastante freqüente a presença de universitários aqui na minha loja. O preço barato atrai os estudantes, temos livros pela metade do preço, isso faz a diferença — disse Taborda.
O Natal não anima o dono do estabelecimento. Taborda diz que o movimento cai nesta época do ano.
— Não espero aumentar às vendas com a chegada do Natal. Quem compra aqui é mais para uso pessoal, dificilmente é para presente — diz.
O preço de uma obra chega a cair 50% em um sebo. Entre os mais procurados estão livros