Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

Sean Penn encara polêmica em filme sobre Nixon

Quinta, 30 de Dezembro de 2004 às 16:51, por: CdB

Para um ator que já foi chamado de antipatriótico e até de traidor, Sean Penn não está tentando fugir da polêmica. O ator decidiu fazer o papel de um homem que quer matar o presidente e sequestrar um avião, logo em seguida à sua performance como o vilão de Sobre Meninos e Lobos, de Clint Eastwood, pela qual ganhou o Oscar.

Mesmo quando pareceu quase impossível realizar o filme The Assassination of Richard Nixon, por causa dos ataques de 11 de setembro de 2001, Penn pressionou para que ele fosse feito, já que considerava o papel do aspirante a assassino Sam Bicke a chance de contar o que leva um homem a cometer atos extremos.

Baseado na história real de um homem morto quando tentava sequestrar um avião para jogá-lo contra a Casa Branca, o filme, que estréia esta semana em algumas cidades dos EUA, é sobre um homem levado ao extremismo por uma frustração profunda com a moral e as normas da sociedade.

Nixon trata de um desajustado social que quer se encaixar no sistema, mas é rejeitado sempre que tenta. Perde o emprego, a mulher, o novo emprego e tem o empréstimo para iniciar um negócio próprio negado.

O ator acha que se devem medir as pessoas pelo que há dentro delas, "pela pureza do coração".

Penn tem uma longa convivência com a polêmica e não faz segredo de seu desagrado com as políticas do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, em relação à guerra no Iraque. Chegou a viajar ao Iraque antes da invasão, para tentar entender o conflito.

Criticado pela mídia, Penn foi considerado antipatriótico. Numa entrevista recente, o ator disse que ainda considera a guerra no Iraque uma "guerra criminosa", e atacou seus detratores.

- Não acho que seja antiamericano. Se entendo bem o que isso significa, não posso imaginar algo mais antiamericano que tentar calar as pessoas - afirmou Penn.

Sean Penn, 44, é filho de um roteirista de Hollywood que caiu no ostracismo nos anos 50 e de uma atriz que deixou de atuar para cuidar dos filhos.

Seu primeiro papel de impacto foi na comédia de 1982 Picardias Estudantis. Ele podia ter se tornado astro de filmes de sucesso muito bem remunerados. Em vez disso, foi atrás de papéis em filmes alternativos ou de personagens secundários em filmes de diretores importantes, como ocorreu em Além da Linha Vermelha, de Terence Malick.

Penn ganhou o apelido de "bad boy de Hollywood" depois de ir aos tapas com os paparazzi quando era marido de Madonna. Continua avesso à imprensa.

Mas seu passado pareceu ter sido esquecido em fevereiro do ano passado, quando a indústria do cinema lhe deu o Oscar de melhor ator pela atuação em Sobre Meninos e Lobos.

Goste-se dele ou não, uma coisa é inegável: Penn é fiel a suas convicções. Há mais de cinco anos, concordou em fazer Sam Bicke no filme escrito por roteiristas praticamente desconhecidos e a ser dirigido por um estreante, Niels Mueller.

Embora os realizadores tenham tido dificuldade para arrecadar o dinheiro, Penn continuou com o projeto. Para ele, Nixon diz algo sobre a natureza das pessoas que não pensam como a sociedade em geral. E nisso ele tem alguma experiência.

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