O menino Sean Goldman, de 9 anos, já está em companhia do seu pai, o americano David Goldman, com quem embarca para os Estados Unidos em voo particular.
David chegou ao Consulado norte-americano, no Rio de Janeiro, por volta das 7h30 e às 8h30 Sean foi entregue pelo padrasto, Paulo Lins e Silva, pela avó materna e pelo advogado da famlía. Por volta das 9h50, o menino e seu pai deixaram o Consulado, em dois carros, seguindo para o Aeroporto Internacional Tom Jobim.
A entrega de Sean ao seu pai ocorreu por determinação do presidente do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, desembargador Paulo Espirito Santo, que deu prazo até as 9h desta quinta-feira para que Sean fosse entregue ao Consulado dos Estados Unidos.
Houve tumulto em frente ao Consulado devido ao grande número de pessoas e jornalistas que acompanharam a entrega do menino. O pai entrou pela garagem dos fundos, a família do menino porém, preferiu que a criança entrasse pela porta da frente.
Visivelmente assustado e vestindo uma camiseta amarela, Sean caminhou até a representação norte-americana amparado por seu padrasto, João Paulo Lins e Silva, em meio a uma multidão de fotógrafos e jornalistas que aguardavam sua chegada.
A família brasileira do garoto optou em estacionar o carro longe da representação diplomática e caminhar até o local. O pai biológico chegou em carro escoltado pela Polícia Militar e entrou pelo estacionamento da embaixada.
A entrega cumpre decisão do Tribunal Regional Federal do Rio de Janeiro, que determinou o prazo para até as 9h da manhã desta quinta-feira, véspera de Natal, para que Sean fosse entregue ao pai.
David Goldman luta pela custódia do filho desde 2004, quando a brasileira Bruna Bianchi, sua então esposa e mãe de Sean, trouxe o menino dos EUA, onde a família vivia, para o Brasil. Uma vez aqui, ela se divorciou de Goldman. Em 2008, Bruna morreu.
Goldman e o governo norte-americano dizem que, sob a Convenção de Haia para a proteção de crianças, assinada por ambos os países, o caso de Sean configura sequestro infantil internacional.
A questão envolve o pai norte-americano, que chegou ao Brasil na semana passada, e o padrasto, o advogado João Paulo Lins e Silva, com quem o menino vive no Rio de Janeiro.
No dia 16, o Tribunal Regional Federal do Rio de Janeiro determinou que a guarda de Sean deveria ficar com o pai biológico e que o menino deveria retornar aos Estados Unidos 48 horas após a decisão.
No entanto, uma liminar concedida pelo ministro do STF Marco Aurélio Mello no dia 17 em favor da família brasileira impediu a entrega do menino a Goldman que, assim como a Advocacia Geral da União (AGU), entrou com um mandado de segurança no STF contestando a decisão de Mello.
Na noite de terça-feira, o presidente do STF, Gilmar Mendes, determinou que Sean fosse entregue ao pai, cassando a liminar concedida por Mello à família brasileira.
A decisão de Mendes é preliminar e precisa da aprovação do plenário da Corte, porém é de caráter imediato, o que permitirá que Goldman volte com seu filho aos Estados Unidos. No entanto, o advogado da família brasileira disse ter preparado um recurso.
A família materna de Sean disse na quarta-feira que não recorrerá da decisão do STF.