Rio de Janeiro, 04 de Novembro de 2026

Se for criado, novo país pode sofrer garrote econômico

Quinta, 15 de Setembro de 2011 às 08:05, por: CdB

Como os Estados Unidos e potências a eles aliadas costumam tentar manobrar a ONU e o FMI e muitas vezes têm êxito nessa empreitada, acho prudente encarar com certa reserva os relatórios divulgados ontem, nos quais as duas entidades expõem suas dúvidas quanto a viabilização agora do Estado palestino que pode ser criado na próxima 3ª feira.

Até porque o próprio presidente Barack Obama já manifestou sua oposição ao pleito palestino, no que seguramente será seguido por aliados. Em seus relatórios, a ONU e o FMI apontam a escassez de ajuda financeira internacional, as restrições comerciais impostas por Israel e a atual paralisia diplomática como ameaças aos esforços palestinos à criação de uma economia viável e de instituições sólidas em seu novo Estado.

Os relatórios vieram a público ontem, a apenas seis dias de os líderes palestinos irem à ONU pleitear seu reconhecimento como Estado independente. Não tinha como ser diferente e, nos dois documentos, ONU e FMIsão obrigados a reconhecer que a Autoridade Nacional Palestina (ANP) cumpriu seu objetivo de preparar os órgãos necessários para a administração de um país, com três poderes (Legislativo, Judiciário e Executivo) em funcionamento.

Presidenta da ANP vai à ONU pleitear Estado

A despeito disso, os documentos insistem em vários pontos que há pela frente, que veem como ameaças econômicas e políticas à viabilização do Estado da Palestina. O próprio presidente da ANP, Mahmoud Abbas, estará na Assembléia Geral da ONU na 3ª feira para pleitear o reconhecimento do seu país atitude rechaçada por Israel que diz condenar a busca unilateral por esse reconhecimento.

Ministros israelenes já alertaram para possíveis retaliações, incluindo o congelamento de verbas mundiais para a Palestina, caso haja a criação do Estado. Os EUA, também, além de tornar pública sua oposição, ameaçam cortar a ajuda financeira - US$ 450 milhões/ano - repassada á região.

Israel recebe dos EUA US$ 3 bi/ano, em virtude de um acordo entre os dois países vigente  até 2017, que inclui um aumento de 25% da ajuda militar americana. A ANP precisa da ajuda internacional para cobrir um deficit que deve alcançar US$ 900 milhões neste ano.

Em seu relatório divulgado ontem o FMI assinala que a economia palestina já está sofrendo com uma forte redução nas doações. Nos primeiros oito meses do ano, essas verbas totalizaram US$ 400 milhões - US$ 300 milhões a menos do que o previsto.

O documento considera, assim, que as perspectivas econômicas para os palestinos são sombrias. Leiam, também, o post acima Todo apoio à criação do Estado da Palestina.

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