A Arábia Saudita planeja reduzir sua produção de petróleo em até 300 mil barris por dia, abaixo da quota acordada com a OPEP, um passo pró-ativo para estimular um mercado em crise, disseram fontes da indústria neste domingo. O país-membro mais influente da Organização dos Paises Exportadores de Petróleo reduziu o suprimento deste mês para 8 milhões de barris por dia, cumprindo a meta do pacto da organização para reduzir a produção total em um volume recorde a partir de 1º de janeiro.
Mas a disciplina severa dos sauditas não conseguiu aumentar os preços, cujo atual patamar de aproximadamente US$ 40 por barril está longe dos US$ 75 por barril considerados pelo rei saudita Abdullah como um preço justo. Por isso Ryiadh está preparada para, a partir de fevereiro, ir além do que é exigido pela OPEP, disseram as fontes.
– Fomos informados de que a Arábia Saudita vai reduzir para cerca de 7,7 milhões (de barris por dia) em fevereiro. Eles querem evitar um grande aumento de estoque e uma nova queda nos preços do petróleo – disse um alto executivo do setor.
O país havia aumentado a produção unilateralmente para cerca de 9,7 milhões de barris por dia em agosto do ano passado para acalmar um mercado que havia alcançado um pico de quase USR$ 150 por barril em julho. Mas até fevereiro, o reino saudita terá reduzido seu suprimento para os mercados mundiais em um quinto, à medida que a recessão reduz a demanda por petróleo. Refinarias na Ásia esperam receber os menores envios de petróleo bruto em cinco anos, e compradores na Europa e nos EUA também vislumbram cortes substanciais.
Algumas fontes do setor disseram à Reuters que os volumes reduzidos estão na medida em que necessitam. Autoridades sauditas não foram encontradas para comentar o assunto. Fontes consultadas afirmam ser cedo demais para dizer se a Arábia Saudita está mais uma vez antecipando uma ação mais abrangente da OPEP ou se age sozinha. A OPEP, que extrai quase um terço do petróleo mundial, tem um novo encontro marcado para março.
O declínio na demanda por causa da economia mundial enfraquecida deve se intensificar até lá, já que no início do segundo trimestre, o consumo normalmente diminui graças ao término do inverno no Hemisfério Norte.