Rio de Janeiro, 16 de Maio de 2026

Sauditas pressionam forças iraquianas para destituir Saddam

Domingo, 19 de Janeiro de 2003 às 10:15, por: CdB

Cada vez mais desesperada para evitar a guerra, a Arábia Saudita começou uma campanha para incitar forças de segurança iraquianas para que destituam Saddam Hussein se ele continuar a se recusar a deixar o cargo e ir para o exílio, dizem fontes oficiais. A liderança saudita está defendendo a remoção de Saddam como parte de uma estratégia para evitar a guerra, mesmo com o reino dando sinais para Washington de que cooperará amplamente com as preparações militares dos EUA no Golfo Pérsico, incluindo o oferecimento de bases importantes e do uso do espaço aéreo, disseram oficiais sauditas na semana passada. Pareceu possível que vários Estados árabes e muçulmanos se juntem à iniciativa essa semana, com a Turquia tentando reunir os vizinhos do Iraque para discussões urgentes em Ancara, a capital da Turquia, com uma agenda explícita de evitar conflito militar, embora vários oficiais sauditas tenham dito que consideravam essa uma possibilidade remota. O primeiro-ministro turco, Abdullah Gul, disse na sexta-feira que ele incentivava Saddam a considerar deixar o cargo e, separadamente, diz-se que um oficial do serviço de inteligência tem conversado com o filho de Saddam, Quasay, sobre uma proposta para oferecer anistia ao líder iraquiano junto com o abrigo, no exílio, para ele e sua família. Oficiais iraquianos negaram que essas conversas estejam acontecendo. Novos relatos sobre o plano saudita voltado a evitar a guerra ao encorajar a saída de Saddam foram feitos nos últimos dias. Oficiais sauditas alertaram, porém, que apesar de estarem formulando um plano geral de anistia, ainda não há proposta concreta. "Os americanos querem tirar Saddam por meios militares, e nós queremos tirá-lo por intensificação psicológica", disse um conselheiro da família real saudita. Outro conselheiro da corte real afirmou que oficiais estavam fazendo a campanha geralmente através de declarações não oficiais que eles sabem que serão transmitidos no Iraque através de canais particulares de diplomacia e inteligência, "porque ninguém quer essa guerra" e porque "ninguém quer ser citado publicamente como defendendo a queda de outro Estado soberano". O governante do reino, Crown Prince Abdullah, procura demonstrar, dizem assessores, que ele e outros líderes árabes e muçulmanos estão fazendo o que podem para evitar um ataque militar ao Iraque sem desafiar diretamente a posição do governo Bush de que a guerra acontecerá se Saddam não desistir de suas armas de destruição de massa que Washington afirma que o país ainda esconde. Em Damasco, na Síria, o primo de Saddam, Ali Hassan al-Majeed, disse na semana passada que qualquer noção de que Saddam estava negociando seu exílio era um "absurdo". Majeed é uma das pessoas que provavelmente viajaria com Saddam se um exílio se concretizasse.

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