O presidente do Iêmen, Alí Abdulá Saleh, não regressará a seu país, afirmou nesta sexta-feira uma fonte saudita não identificada, reforçando a tese de uma conspiração nesse sentido entre as nações árabes do Golfo Pérsico. A notícia, que não surpreendeu os observadores diplomáticos na região, gerou reações diversas em Sanaa, onde milhares de iemenitas se mobilizaram a favor e também contra o ditador, que convalesce na Arábia Saudita de ferimentos provocados por um atentado desde o dia 4 de junho. Um funcionário do governo saudita desmentiu as declarações do vice-presidente e mandatário em funções do Iêmen, Abdrabuh Mansur Hadi, que tem recusado as demandas da oposição opositoras de entrar em um acordo pela transição, alegando que o governante regressaria "muito em breve". Salé foi levado ao reino wahabita depois de sofrer ferimentos e queimaduras em um atentado contra a mesquita do palácio presidencial no dia 3 de junho, enquanto assistia às preces muçulmanas junto a outros servidores públicos de seu gabinete, que também foram feridos. – Não foi decidido onde permanecerá (o presidente) – informou um importante funcionário governamental saudita, sem especificar se se tratava de uma decisão voluntária ou forçada do ditador. Enquanto as marchas opositoras generalizaram-se hoje em Sanaa e na cidade de Taiz, no sul, os adversários de Saleh insistiram em que se constitua um conselho de transição que o exclua e permita aplacar a violência e instabilidade que afeta este país desde 27 de janeiro. Hadi reiterou que "trabalharemos com todas as forças para formar um conselho" provisório de governo que colocaria o Iêmen sob uma nova liderança em um prazo máximo de nove meses. Analistas estimam que a decisão sobre o chefe de Estado iemenita não regressar a seu país está relacionada a possíveis pressões das nações do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), depois de ver recusado um plano concebido junto aos Estados Unidos e à União Europeia. Saleh rejeitou em três ocasiões assinar um acordo do CCG que fixava sua renúncia e transferência de poderes a seu vice-presidente no prazo de 30 dias, para que este criasse um gabinete de unidade encabeçado pela oposição e convocasse eleições gerais dois meses depois.
Sauditas descartam regresso de Saleh ao Iêmen
Sexta, 17 de Junho de 2011 às 15:40, por: CdB