O Ministério da Saúde planeja desenvolver pesquisas sobre a legislação destinada a pessoas com deficiência. Outra iniciativa prevista pela coordenação do ProgramaNacional de DST/Aids é a elaboração de material acessível aos portadores de deficiência que trata da sexualidade e da prevenção de doenças sexualmente transmissíveis.
A informação é do diretor doDepartamento de Ações Programáticas e Estratégicas do Ministério da Saúde, Adson França.
– Nós precisamos conhecer essa realidade e o melhor caminho é através da pesquisa qualificada disse.
Essas foram algumas das conclusões do encontro de especialistas internacionais, autoridades governamentais e representantes da sociedade civil, realizado em Brasília nessa terça-feira, para discutir formas de eliminar a discriminação contra pessoas com deficiência em assuntos relacionados a casamento, família e reprodução.
A Consulta Nacional sobre Saúde Sexual e Reprodutiva e Pessoas com Deficiência é um tratado pioneiro no mundo, de onde sairá um documento com recomendações globais relacionadas à saúde sexual e reprodutiva em pessoas com deficiência. A representante do Fundo de População das Nações Unidas no Brasil (Unfpa), Alanna Armitage, disse que o Brasil foi escolhido para sediar o encontro porque tem avançado muito na questão de saúde sexual e reprodutiva em geral, assim como na inclusãode pessoas com deficiência.
– Por isso, o Fundo de População das Nações Unidas e a Opas (OrganizaçãoPanamericana de Saúde) ter escolhido o Brasil para fazer esse trabalho, tentar juntar os dois temas e mostrar ao mundo inteiro que a questão da saúde sexual e reprodutiva das pessoas com deficiência é um tema muito importante, afirmou.
Segundo Alanna, o preconceito e a noção de que as pessoas portadoras de deficiência não têm sexualidade existe no mundo inteiro, mas elas querem ter o direito de praticar sua sexualidade e ter o direito a filhos e família.
Por isso, disse Armitage, esse tema precisa ser debatido para que a inclusão seja prioritária na agenda nacional e internacional. Para o diretor do Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas do Ministério da Saúde, Adson França, o que ainda falta no Brasil é por em prática as leis relacionadas a pessoas com deficiência.
– Avançamos muito na legislação. Têm-se dito no mundo, nas conferências internacionais que temos participado que o país está entre os três, quatro países com a legislação mais avançada. Ainda precisamos de legislação, mas o nosso maior problema é aplicar as leis, é conclamar o empresariado, a sociedade civil, gestores e colocar em prática as leis avançadas que já existem no Brasil, para acessibilidade, para incorporação da pessoa com deficiência, afirmou.
Dados do Fundo de População das Nações Unidas (Unfpa) mostram que mais de 650 milhões de pessoas no mundo vivem com algum tipo de deficiência. No Brasil, 14,5% da população, ou 15 milhões de pessoas, têm deficiências. Por causa disso, muitas delas são marginalizadas, privadas de liberdade e oportunidade ou sofrem violação nos seus direitos humanos.