A condição geral de saúde do papa João Paulo II está "visivelmente comprometida", com respiração fraca, problemas cardíacos e nos rins e baixa pressão arterial, afirmou um comunicado do Vaticano.
- As condições gerais e cardio-respiratórias do Santo Padre pioraram ainda mais - afirma o anúncio oficial, divulgado às 18h30 de Roma (13h30, horário de Brasília).
Na manhã desta sexta-feira, o porta-voz da Santa Sé, Joaquín Navarro-Valls, já havia dito que a situação do papa era "muito grave", mas que ele continuava consciente.
- O quadro clínico indica insuficiência cardiocirculatória e renal. Os parâmetros biológicos estão visivelmente comprometidos - continua a nota à imprensa.
- O Santo Padre, com visível participação, está se juntando às contínuas orações daqueles que o apóiam - completa o comunicado.
Em outro sinal da gravidade do estado de João Paulo II, o Vaticano já havia anunciado na tarde desta sexta-feira que o papa nomeou 17 novos bispos, arcebispos e núncios apostólicos e assinou a demissão de outros seis.
Ele já havia assinado os documentos antes do agravamento de sua condição.
Rumores
Nas primeiras horas desta sexta-feira, o Vaticano havia negado rumores, divulgados pela mídia italiana, de que o papa teria entrado em coma.
Antes disso, um comunicado de urgência afirmava que o pontífice de 84 anos sofreu um colapso cardiovascular e estava "em estado muito grave".
O Vaticano confirmou ainda que o papa recebeu a extrema-unção, o sacramento reservado a quem está perto de morrer.
Na quinta-feira, Joaquín Navarro-Valls, porta-voz da Santa Sé, havia dito que o papa estava recebendo "tratamento adequado com antibióticos".
Em casa
Segundo ele, o papa decidiu não voltar para o Hospital Gemelli, em Roma, onde ficou internado no início e no fim de fevereiro.
O pontífice está em seus aposentos particulares no Vaticano, sendo tratado por quatro dos mais conceituados médicos do hospital universitário católico de Roma e seu médico particular, Renato Buzzonetti.
O papa sofre do mal de Parkinson há dez anos e piorou no início deste ano, por causa de dificuldades respiratórias.
O sumo pontífice ainda estaria sendo alimentado por um tubo nasal para ajudar sua recuperação de uma cirurgia na garganta no mês passado, conforme afirmou o Vaticano na quarta-feira.
Orações
A piora do estado de saúde do papa levou milhões de católicos em todo o mundo a se reunir em igrejas em praças públicas para rezar por João Paulo II.
Centenas de fiéis estão rezando na praça São Pedro, a poucos metros do quarto em que o papa se encontra. Muitos passaram toda a noite no local.
Na Polônia, terra natal do pontífice, as igrejas lotaram. O arcebispo de Cracóvia, cardeal Franciszek Macharski, amigo de longa data do papa, disse ao poloneses que não devem se envergonhar de expressar suas emoções.
Há vigílias pela recuperação do papa em vários países de população católica, como nas Filipinas e no Brasil. Os fiéis também se reuniram em Belém, nos territórios palestinos da Cisjordânia, terra natal de Jesus Cristo.
Internação
A saúde do papa vem piorando ao longo da última década.
Sua condição sofreu uma forte deterioração nos últimos dois meses. Ele foi levado às pressas ao hospital na noite de 1º de fevereiro para tratar de uma inflamação respiratória.
Após dez dias, João PauloII recebeu alta, mas uma recaída da gripe o obrigou a ser novamente internado em 24 de fevereiro para realizar uma traqueostomia - um tubo foi inserido em sua traquéia para desobstruir as vias respiratórias.
Entre fevereiro e março, o papa passou um total de 28 dias no hospital.
Em razão da saúde debilitada, ele não participou das principais celebrações religiosas da Páscoa.
O Vaticano informou também nesta semana q
Saúde do papa está 'comprometida', diz Vaticano
Sexta, 01 de Abril de 2005 às 11:38, por: CdB