O julgamento de Slobodan Milosevic, ex-presidente da Iugoslávia, foi interrompido novamente devido aos seus problemas de saúde, levando os juízes a levantarem dúvidas sobre se o maior processo penal da Europa no pós-guerra seria capaz de continuar avançando.
O começo da apresentação da defesa pelo ex-dirigente foi adiado e os promotores pediram pela imposição de um conselho de defesa para Milosevic depois de os juízes terem se mostrado preocupados com a pressão alta e a necessidade de descansar do réu.
Os problemas de pressão, de gripe e de estafa sofridos por Milosevic já interromperam por várias vezes o julgamento, iniciado em fevereiro de 2002. O ex-dirigente, de 62 anos, é acusado de genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra cometidos nos Bálcãs nos anos 1990.
"Chegou a hora de realizarmos uma revisão radical desse processo e analisarmos a continuidade desse julgamento levando em consideração os problemas de saúde do acusado", disse Patrick Robinson, juiz-presidente da corte em uma sessão descrita como uma audiência administrativa.
Os três juízes do tribunal devem decidir na terça-feira sobre como dar continuidade ao caso.
Milosevic, que se formou em direito em Belgrado e está realizando sua própria defesa, diz que o julgamento é uma batalha entre a verdade e as acusações consideradas por ele "falsas" e "monstruosas".
O ex-dirigente da hoje extinta Iugoslávia deveria dar início a sua defesa fazendo um pronunciamento de quatro horas. O julgamento dele é considerado o maior de crimes de guerra da Europa desde que os nazistas foram condenados em Nurenberg (Alemanha) depois da Segunda Guerra Mundial.
O promotor rebateu a noção de que Milosevic não estaria mais apto para ser julgado, mas pediu que a corte designasse advogados de defesa a fim de representá-lo, reduzindo o estresse do réu. O ex-dirigente rejeitou por diversas vezes os conselhos para que instituísse um advogado de defesa.
Acusado de dezenas de crimes de guerra cometidos na Croácia, na Bósnia e em Kosovo nos anos 1990, Milosevic deseja convocar como testemunhas, entre outros, o ex-presidente dos EUA Bill Clinton e o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair.