Rio de Janeiro, 30 de Setembro de 2026

Saúde Bélica

Domingo, 17 de Julho de 2011 às 15:14, por: CdB

Por Cláudia Rodrigues 17/07/2011 às 20:51

Sobre os "efeitos colaterais" da medicina ocidental moderna associada a indústria farmaceutica.

A história da saúde humana virou com as guerras. Inegavelmente para melhor em seus aspectos técnicos, científicos, em precisão e prevenção. O atrelamento às guerras, aos vírus de laboratório, à radiação, ao uso indiscriminado de substâncias químicas muitas vezes desnecessárias e nocivas à saúde humana, esse lado também é inegável na nossa medicina.

Paralelamente à descoberta da penicilina corriam soltos os testes com raios X, identificados pela primeira vez por Röntgen, em 1895. Naquele início foi ingenuidade, com a melhor das intenções, a matança de gente em testes. Fomos pesquisados em massa e ainda somos, mas já faz tempo que os dados entre riscos e benefícios vêm sendo maquiados por interesses exclusivamente econômicos. Tecnicamente tudo perfeito, muito bem explicado pela ultra-assepsia alcançada, mas os abusos estão gritantes, os riscos potenciais e a iatrogenia vistos com óculos cor-de-rosa não deixam dúvidas sobre o colapso do velho paradigma, que se foi à cerca tocando-nos como boiada.

Anestesiados com distrações, como crianças que não param de ganhar brinquedos, fazemos vista grossa para a evolução do quadro. Não pararam as bombas desde 1945 e nem os investimentos e associações entre as duas indústrias: bélica e farmacêutica.

Banalizamos o uso da tecnologia bélica, não vinculamos os filmes que assistimos sobre a Segunda Guerra com o que vem ocorrendo de lá para cá; vemos as guerras atuais como espetáculos pirotécnicos e não nos ressentimos com os subprodutos das pesquisas sendo usados em nossos corpos como entretenimento ou remédios, testes, exames elaborados, produtos químicos em excesso. Com raras exceções, nossos medicamentos em peso contêm corantes artificiais, muitos deles comprovadamente cancerígenos. As drogas para crianças são as que mais apelam, a razão seria atrair a criança com cores berrantes e sabores doces. Acostumar crianças a gostarem de tomar remédios pode ser confortável para o adulto não ouvir reclamação, mas do ponto de vista educativo é uma ignorância. Doença pode facilmente virar uma compensação em cérebros infantis. O corante cancerígeno como atrativo é o cúmulo do interesse comercial contra a saúde dos que já nascem pacientes, clientes do mercado da doença.

Em nome da ciência e do medicamento correto, considera-se aceitável o uso de produtos de efeito cumulativo e altamente nocivo nos medicamentos e na indústria alimentícia; um exemplo é o flúor, íon que mesmo em baixas quantidades, por ser cumulativo no corpo humano, está vinculado à baixa imunidade, alguns tipos de câncer e osteoporose. Ok, as pesquisas sobre osteoporose estão em alta, além de remédios temos cirurgias ótimas, com ótimos materiais para substituírem nossos ossos, mas o rolo da produção de doenças em larga escala está aviltante.

Exames preventivos com uso de radiação em pessoas saudáveis, estão banalizados por um tipo de recomendação que passa a idéia de obrigação.

O que está acontecendo conosco que não ousamos perguntar quantos exames radiológicos uma criança pode fazer, do ponto de vista da segurança integral de seu corpo, para que o dentista saiba com exatidão qual o risco mínimo de um dente de cima ?comer? um pedaço milimétrico da raiz do que está embaixo? Como realmente tem funcionado essa linha tênue ente os riscos e benefícios no uso de radiação como preventivo de doenças ou ?defeitos??

Paralelamente aos avanços da medicina, que foram muitos e inegáveis, devido ao lugar do sistema em que se encravou esse desenvolvimento, foi inevitável a corrupção. Os médicos que nos atendem nos centros de saúde, hospitais, clínicas e consultórios privados ou públicos, não são os criadores da corrupção na medicina, não são os responsáveis diretos pela ligação entre a indústria bélica e os cartéis dos laboratórios, mas podem ser coniventes com ela. E de fato têm sido.

Nossa medicina está cada vez mais afastada do corpo a corpo, do exame clínico, da pesquisa sobre a saúde integral daquela pessoa, naquele contexto, naquele momento de sua vida. Raríssimo encontrar hoje uma criança que nunca tomou antibiótico ou antitérmico, incomum encontrar crianças de 10 anos que já não fizeram meia dúzia de exames radiológicos, de sangue, urina, fezes ou glicose, ainda que sejam saudáveis e só tenham passado por gripes.

As crianças nascem e no hospital um dos primeiros toques são duas gotas de nitrato de prata nos olhos, como praxe, para evitar cegueira, caso a mãe seja portadora de chlamydia, ainda que a mãe tenha passado por pré-natal e se saiba por fonte segura que ela não é portadora da doença sexualmente transmissível vulgarmente conhecida como gonorreia. O problema é que nitrato de prata arde e causa conjuntivite química, desnecessária no bebê saudável que tem uma mãe sabidamente isenta do agente patológico para o qual se usa o medicamento. Vacinas feitas à base de thimerosal, sulfato de alumínio e mercúrio, dadas em bebês saudáveis que acabaram de nascer, são mesmo tão urgentes e apresentam de fato mais benefícios do que riscos?
Por que ficamos tão descrentes na natureza saudável de nossos corpos a ponto de acreditarmos, sem questionamentos, que injetar produtos químicos em nossos bebês recém-nascidos os tornará mais fortes?

O raciocínio usado para essas e outras barbaridades, como a mamografia anual para toda e qualquer mulher com mais de 40 anos, tem uma única e principal defesa: a generalização da saúde pública como linha de montagem que traz lucros via altos investimentos em tecnologia. Uma mulher que chega a um grande hospital público sem exame de pré-natal necessitaria, obviamente, infectada ou não por chlamydia, que seu bebê tenha os olhos desinfetados, já que não há como comprovar rapidamente que a mãe não é portadora de chlamydia. O sentido de expor milhares de bebês nascidos em qualquer maternidade pública ou privada a uma medicação para doença que sabidamente a mãe não porta, só tem uma explicação e ela é político-econômica.

A mamografia anual em toda mulher que tem 40 anos ou mais traz mais riscos potenciais do que benefícios, conforme atestam pesquisas em diversos países e pela OMS.

O direito a não se expor à radiação aos 50, 60, 70, 80 anos para fazer um exame preventivo de uma doença que a pessoa talvez jamais desenvolva, também precisa ser respeitado. Isso não acontece porque a mídia, em seus convênios milionários com os grandes laboratórios, opera uma verdadeira lavagem cerebral nas pessoas.

O tecnicismo na medicina tem atrapalhado o direito de nascer, de morrer e de viver bem sem espionagem mórbida, essa procura ilimitada pela doença no corpo. Felizmente existem novas correntes na medicina que entendem como prevenção o cuidado com a saúde, a alimentação e a higiene. Tipos raros, mal pagos, mal considerados pelos corporativistas majoritários da medicina; são os médicos de família, os humanistas, os doutores das comunidades que não freqüentam colunas sociais.

Cláudia Rodrigues, jornalista, terapeuta reichiana, autora de Bebês de Mamães mais que Perfeitas, 2008. Centauro Editora. Blog

URL:: http://sul21.com.br/jornal/2011/07/saude-belica/

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