Cercado por vários artistas, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), prometeu esta terça conversar com os líderes partidários para que o projeto de lei que trata de direitos autorais e aumenta a pena mínima de um para dois anos aos fabricantes e comerciantes de discos piratas seja votado o mais rapidamente possível. "Esse é o crime mais evidente que se vê no Brasil", afirmou Sarney, ressaltando que a pirataria já se espalhou pelas ruas e por todos os cantos do país. Ele disse que vai procurar o relator do projeto na Comissão de Constituição e Justiça, senador João Capiberibe (PSB-AP), para agilizar sua tramitação. "Música é a cultura da alegria e isso é próprio do Brasil. Vocês fazem parte do imaginário popular", enfatizou Sarney, dirigindo-se a cantores e compositores como Martinho da Vila, Alcione, Leonardo, Gabriel o Pensador, Xandy e Toni Garrido, entre outros. Antes de entrarem no gabinete da presidência do Senado, eles passaram por um grupo de "tietes", entre mulheres histéricas que gritavam e pediam autógrafos. A presença dos artistas mobilizou os funcionários e reforçou o serviço de segurança, que agiu com mais. Os artistas foram unânimes em afirmar que, além dos prejuízos na arrecadação de impostos, a pirataria está causando também problemas à produção musical nacional. "O mercado de discos caiu quase 60 % com o crescimento da pirataria", contou o diretor da Associação Brasileira dos Produtores de Discos, Paulo Rosa, lembrando que o projeto ficou sete anos na Câmara. Ele procurou rebater perguntas sobre o preço inacessível dos CDs, o que teria ajudado a expansão da pirataria. "Não são caros. Pelo contrário, é um dos menores do mundo", disse, para acrescentar que os produtores de piratas não pagam direitos autorais nem custo de gravação. "A pirataria do disco estimula outras como a dos livros que já começa a acontecer no Brasil", emendou Toni Garrido.
Sarney promete acelerar combate a pirataria
Terça, 08 de Abril de 2003 às 10:25, por: CdB