Rio de Janeiro, 26 de Setembro de 2026

Sarney é senador que mais faltou às sessões, segundo pesquisa

Presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), segundo levantamento feito pelo Congresso em Foco, foi o menos assíduo dos senadores na primeira metade do ano, com 17 faltas. Em segundo lugar aparece Wellington Salgado (PMDB-MG), um dos principais defensores do presidente do Senado, com 12 faltas, sem pedido de licença. (Leia Mais)

Segunda, 27 de Julho de 2009 às 09:39, por: CdB

Presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), segundo levantamento feito pelo Congresso em Foco, foi o menos assíduo dos senadores na primeira metade do ano, com 17 faltas. Em segundo lugar aparece Wellington Salgado (PMDB-MG), um dos principais defensores do presidente do Senado, com 12 faltas, sem pedido de licença. Em seguida aparece o líder do DEM, José Agripino (RN), com nove ausências sem justificativa.

Segundo o site, o primeiro semestre de escândalos do Senado contabilizou apenas 60 sessões deliberativas, ordinárias ou extraordinárias. Em quase 200 dias, o noticiário negativo, iniciado antes mesmo da posse de Sarney, em fevereiro, deu prejuízos à produção legislativa: em meio às seguidas denúncias de desmandos administrativos dos mais variados, o que se viu foram várias sessões improdutivas em que senadores, ao invés de deliberar, faziam discurso sobre a crise.

Ao todo, os 81 senadores atuais e os agora governadores José Maranhão (PMDB-PB) e Roseana Sarney (PMDB-MA), acumularam 185 faltas sem justificativa, afirma a página na internet, "o que equivale a 4,5% do total de presenças registradas em plenário". As ausências diminuíram em relação a 2007, quando o Congresso em Foco produziu o primeiro levantamento sobre assiduidade parlamentar: naquele ano o percentual de faltas era 16%. Já os pedidos de licença chegaram a 598 no primeiro semestre deste ano, número muito maior do que o registrado em relação ao primeiro levantamento (confira).

Somadas as faltas não justificadas (185) aos pedidos de licença (598) por motivos variados (tratamento de saúde, missão ou representação oficial ou interesse particular), chega-se ao mesmo índice registrado em 2007, 16% do total de presenças (783), afirma o site. A pesquisa revela que senadores passaram a recorrer à prerrogativa regimental das licenças, que devem ser oficializadas na Secretaria Geral da Mesa e levadas pela Mesa Diretora à aprovação em plenário.

Mais implicações

Novos diálogos, divulgados nesta segunda-feira na página do diário paulistano Folha de S. Paulo, em escutas telefônicas autorizadas pela Justiça e captadas pela Polícia Federal, revelam que o empreiteiro Zuleido Veras garante não faltar dinheiro para um empreendimento em Macapá porque "é obra de Sarney". Em uma outra conversa, em Brasília, Zuleido diz que já estava chegando à casa de Sarney.

Dono da construtora Gautama, Zuleido foi o principal alvo da Operação Navalha, deflagrada em abril de 2007 para investigar fraudes em licitações de obras públicas. Ele foi preso ao lado de executivos e lobistas da empreiteira, indiciado por formação de quadrilha, corrupção e tráfico de influência e denunciado pelo Ministério Público.

As interceptações são de julho e agosto de 2006. Na época, a construtora de Zuleido ampliava o aeroporto de Macapá. Trata-se da principal obra pela qual Sarney se empenhou no Amapá, Estado pelo qual foi reeleito em 2006. Obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) orçada em R$ 112 milhões, a ampliação do aeroporto internacional de Macapá é alvo de outro inquérito da PF aberto em junho. A polícia apura sobrepreço de R$ 17 milhões na ampliação do aeroporto, que era tocada pela Gautama e pela construtora Beter.

O envolvimento da família Sarney com Zuleido tornara-se público há algum tempo, após a divulgação de referências à governadora do Maranhão, Roseana Sarney, e conversas gravadas entre o empreiteiro e Ernane Sarney, irmão do presidente do Senado. "Mas não havia até agora um elemento que ligasse diretamente o dono da Gautama ao senador", diz o jornal. Em 4 de julho de 2006, Zuleido fala com uma pessoa identificada pela PF apenas como Mauro Viegas. Ele diz a Zuleido que está "uma turma aqui, o José Alcure (sem identificação no relatório), que vai estar em Brasília até amanhã sobre o assunto lá do Macapá, que você é o titular daquela coisa lá que está devagar".

– Tem uma porção de boatos. Aí eu botei lá, mobilizei minha turma mês e pouco atrás, achando que a coisa ia e a coisa está ali naquele marasmo. De concreto hoje mesmo parece que tem dez pratas pra gastar para todo mundo até dezembro – reclama Viegas.

Zuleido o tranquiliza:

– Acho que vai ser resolvido. (...) Com certeza, porque aquele negócio ali é obra de Sarney, não é um negócio que está solto, não.

Já no dia 9 de agosto de 2006, Zuleido diz às 17h33 que vai "chegar à casa do Sarney já, já". Naquele dia ele estava em Brasília e três horas antes havia marcado um encontro com uma pessoa que a PF identifica como Ernane (este é o nome do irmão de Sarney).

Há ainda uma terceira conversa envolvendo Sarney. Em julho de 2006, a diretora comercial da Gautama, Maria de Fátima César Palmeira, fala com um homem identificado pela PF como "José Ricardo". Ele diz que no momento da conversa estava no "gabinete do presidente Sarney" em Brasília e que viajaria na manhã seguinte "com o presidente":

– Vou no avião dele.

Na agenda de Zuleido, em poder da PF, há a anotação: "Roseana - R$ 200 mil". Em 27 de maio: "Ajuda de campanha política - Roseana". Ela nega ter recebido doações dele.

Negativa

Sarney, por meio de sua assessoria, negou o conteúdo das gravações e envolvimento com o empresário Zuleido Veras.

"O presidente Sarney nunca recebeu em sua casa o senhor Zuleido Veras e, na data mencionada, nove de agosto de 2006, ele estava em campanha política", afirmou a assessoria. "O senador informa também que nunca viajou com o sr. José Ricardo (a quem não conhece)".

Sobre a obra em Macapá, disse que "todo mundo sabe que o aeroporto de Macapá foi uma obra que o presidente Sarney pediu ao presidente Lula. Também é de conhecimento geral que a obra foi financiada pela Infraero, via emenda de bancada".

O empreiteiro Zuleido Veras, da construtora Gautama, disse que nunca ouviu falar nas fitas gravadas pela PF em que cita Sarney e que elas só podem ser "uma fraude, uma montagem".

– Eu não sei de nada disso – disse ele.

Ele não soube dizer, segundo a reportagem, quem poderia estar interessado em produzir "fraudes e montagens" desse tipo para prejudicá-lo.

– Isso (as novas fitas que citam Sarney) são pinto perto do que já fizeram comigo. Até me prenderam, a mim e ao meu filho. Me prenderam! – disse aos repórteres.

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