Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Sarney e Renan vão reclamar do PT ao presidente Lula

Quinta, 14 de Abril de 2005 às 20:07, por: CdB

 O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) e seu antecessor, José Sarney (PMDB-AP), pretendem expor ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nos próximos dias, um quadro de insatisfação do PMDB na convivência política com o PT.

Lula volta de sua viagem à Europa e à África em meio a uma complicada fase de rearticulação política com a base de apoio no Congresso. Renan e Sarney decidiram procurar o presidente da República para relatar especificamente os problemas do principal partido aliado no Congresso.

Por não ter rearticulado sua base política após as eleições das novas Mesas da Câmara e do Senado, o governo vem enfrentando dificuldades e revezes no Congresso. Matérias de seu interesse têm sido postergadas ou simplesmente reprovadas. Ao mesmo tempo, consolida-se um movimento suprapartidário para restringir as iniciativas legislativas do Executivo e sua capacidade de manobrar a execução do Orçamento da União.

O acúmulo de medidas provisórias editadas pelo Executivo tranca a pauta de votações, somando-se à insatisfação dos governistas com não-cumprimento de acordos para nomeações de aliados.

O governo decidiu mudar o modelo de articulação política após a eleição de Severino Cavalcanti (PP-PE) à presidência da Câmara. O cenário de sucessão mostrou que o Congresso quer mais independência e motivou uma mudança no relacionamento político.

No time das insatisfações, o PMDB desponta como principal dor de cabeça para o governo. Na quarta-feira, Renan Calheiros criticou a edição de MPs sem critérios relevantes e prometeu rejeitar com a ajuda do plenário todas aquelas propostas desnecessariamente. A atitude do senador foi vista como um sinal ruim ao Palácio do Planalto.

O presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), foi na mesma linha. Um dos seus motes de campanha foi a não-subordinação a todas as vontades do governo.

Mas mesmo tendo problemas com o PMDB, há sinais de que o governo está conseguindo, pelo menos em parte, recompor sua relação com alguns grupos aliados. Caso do PP de Severino Cavalcanti, que nesta quinta-feira decidiu substituir por um nome do PT o relator da polêmica medida provisória que altera as regras para concessão de auxílio-doença. Antes do PFL, a relatoria da MP implicaria a derrota para o governo.

Para peemedebistas, há muitos problemas localizados na bancada que exercem influência sobre a relação com o Planalto. Uma das tensões manifestadas por membros do partido é a dificuldade do PT de repartir o bolo de nomeações para cargos do primeiro e segundo escalões.

Esse problema ficou mais evidente nesta semana, quando o PMDB ajudou senadores da oposição a derrotar o nome de José Fantine, indicado pela ministra de Minas e Energia, Dilma Roussef, para assumir a presidência da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

A reclamação é de que a ministra não atende à demanda do partido por cargos, negociados com o Palácio do Planalto. Ela havia prometido uma vaga na Eletronorte para a sigla, mas acabou nomeando Adhemar Palocci, irmão do ministro da Fazenda, ao posto.

O ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, tentou minimizara a crise na articulação política do governo junto ao Congresso Nacional, chamando de isolado o episódio da ANP.

"O governo aprovou outro membro, aprovou medias provisórias. Então não há nenhum problema na base aliada no Sendo, certo? O que aconteceu foi uma reação isolada, certo? Não é uma resposta a Dilma Roussef, ela não fez nada que possa ser condenável. Nós vamos aprovar o nome no plenário porque é uma indicação do presidente da República", disse o ministro.

Além de limites para medidas provisórias e das nomeações para cargos, o PMDB também cobra outras contas. Por trás dos atritos dos últimos dias estão ainda as denúncias envolvendo o ministro da Previdência, Romero Jucá, indicado pelo presidente do Senado, Renan Calheiros.

"Eles estão nervosos com o Jucá que, do ponto de vista da eficiência, era o melhor quadro que eles tinham", afirmou um

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