Rio de Janeiro, 27 de Setembro de 2026

Sarney, diante Plenário vazio, avisa que não pretende renunciar

Diante de um Plenário praticamente vazio, ao apresentar o balanço dos trabalhos do semestre, nesta sexta-feira, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), deixou claro que não renunciará ao cargo ou ao mandato por conta das denúncias de irregularidades administrativas que têm atingido, inclusive, parentes seus. (Leia Mais)

Sexta, 17 de Julho de 2009 às 09:02, por: CdB

Diante de um Plenário praticamente vazio, ao apresentar o balanço dos trabalhos do semestre, nesta sexta-feira, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), deixou claro que não renunciará ao cargo ou ao mandato por conta das denúncias de irregularidades administrativas que têm atingido, inclusive, parentes seus.

– Dá-me força a grande paixão que tenho pelas instituições nacionais, pela vida democrática que aprendi a amar, o zelo pelo Congresso Nacional. Os insultos e as ameaças não me amedrontam– afirmou o presidente do Senado. Ele acrescentou que a sua força para continuar a promover as reformas administrativas e políticas a que se propôs quando tomou posse está “na grande paixão” às instituições e à democracia.

Sarney recorreu a uma frase do filósofo Sêneca para definir a estratégia que adotou diante da pressão de senadores de vários partidos, inclusive do PMDB, que pedem o seu afastamento da presidência:

– Sêneca dizia que grandes injustiças só podem ser combatidas com três coisas: silêncio, paciência e tempo.

No discurso, Sarney lamentou ter sido abandonado pelo Democratas (DEM), partido que, segundo ele, tem sido parceiro há muitos anos. Ele aproveitou para citar o trabalho feito pelo primeiro-secretário, Heráclito Fortes (DEM-PI), que considera um companheiro leal que tem feito um bom trabalho à frente da secretaria. José Sarney disse que sempre pautou seus trabalhos pelos princípios da ética e da legalidade.

– Não sou movido por um sentimento menor, tenho consciência que agi em nome do Senado Federal – afirmou.

O parlamentar atribuiu ao jornal O Estado de S.Paulo a responsabilidade pela “campanha pessoal” movida contra ele. Segundo o senador, esta suposta campanha do jornal levou outros veículos de comunicação a conduzirem-se na mesma direção. Sarney ressaltou que suas ações “não são apenas palavras” mas 50 anos de vida pública.

– “Essa é a minha força – afirmou.

Ele lembrou que nas três vezes em que assumiu a presidência encontrou o Senado mergulhado em crises e conseguiu reerguê-lo e, agora, segundo ele, não será diferente.

– Esta Casa deve a mim, na minha primeira gestão, a implantação de todo o sistema de comunicação. Fizemos uma reforma administrativa – disse.

O senador destacou que, quando assumiu o cargo em fevereiro, comprometeu-se a trabalhar em duas frentes: Uma reforma administrativa profunda e outra de caráter institucional e de valorização política do Senado. Neste sentido, o presidente reconheceu que “avaliou mal” todo o contexto e as denúncias de irregularidades administrativas acabaram por inviabilizar a reforma institucional que pretendia para a Casa.

No balanço do semestre ele fez um relato de todas as medidas adotadas, a maioria uma reação as denúncias publicadas pela mídia. Entre elas, por exemplo, destacou a extinção dos 663 atos secretos e as demissões dos diretores Agaciel Maia (Diretoria Geral) e João Carlos Zoghbi (Recursos Humanos). Outras medidas relatadas dizem respeito à economia promovida por sua administração com a revisão de contratos e licitações, com a restrição do uso de passagens aéreas por parlamentares, a criação do Portal da Transparência do Senado e a contratação da Fundação Getulio Vargas (FGV) para promover a reforma administrativa da Casa.

O presidente do Senado também destacou o fato de a Casa encerrar o semestre legislativo com todas as matérias votadas.

Resposta

Depois de ouvir o discurso do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), sugeriu que, ao menos, Sarney faça um apelo ao presidente do Conselho de Ética, Paulo Duque (PMDB-RJ), para que tenha uma postura imparcial diante dos processos.

– Um apelo para que ele não se antecipe, não julgue previamente, seja isento e cumpra o Regimento (do Senado). Para que ele possa julgá-lo da forma transparente e imparcial, como exige a sociedade – disse Álvaro Dias, em plenário.

Duque tem recebido críticas por antecipar sua postura no Conselho de Ética. Conhecido por fazer parte do grupo de aliados de Sarney, o senador fluminense tem sinalizado que vai protegê-lo durante a análise dos processos contra ele. O senador chegou a dizer que não está preocupado com a opinião pública porque ela “flutua”.

– Ele foi eleito e, como primeira ação, agride a opinião pública. Seria uma tentativa de debochar da opinião pública? – perguntou Álvaro Dias.

O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras, João Pedro (PT-AM), disse que, mesmo com a apresentação do balanço de atividades da Casa no segundo semestre, se o Senado não estivesse em crise, “os números seriam maiores”.

Já o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) pediu que Sarney encaminhe ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a cópia do relatório com o balanço das atividades da Casa no primeiro semestre. “Porque o presidente chamou os senadores de pizzaiolos”, disse.

– E esse relatório ajuda a mostrar que o Senado está produzindo o que deve produzir: leis – completou.

Sarney encontrou apoio em apenas um discurso: O do senador Geraldo Mesquita Júnior (PMDB-AC).

– Nem a opinião pública e nem a opinião publicada farão com que, nos bons e nos maus momentos, eu me afaste desse compromisso espontâneo que temos de amizade – declarou.

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