Presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) anunciou, nesta quinta-feira, que pretende extiguir 500 cargos da estrutura da Casa, embora não tenha revelado nenhum detalhe da medida. Ele conversou com jornalistas antes da reunião com a Mesa Diretora, que avaliará a decisão. O corte foi recomendado por estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV), mês passado, e inclui 85% nas diretorias e 46% nas chefias. Com a medida, pretende-se economizar R$ 376 milhões por ano.
A auditoria feita pela FGV começou em maio, depois de denúncias de contratação irregular de funcionários, inclusive por meio de atos secretos, o que gerou uma crise e a consequente exoneração de diretores da Casa.
Novo cargo
Ex-diretor-geral do Senado, Agaciel Maia se apresentou para o trabalho no Instituto Legislativo Brasileiro (ILB), nesta quinta-feira. Ele foi transferido para a instituição após ser afastado após ser denunciado pela edição de atos normativos da Casa, sem a devida publicação no Diário Oficial, os 'atos secretos' do Senado, que deram origem ao escândalo que, por pouco, não derrubou da Presidência da Casa o senador José Sarney.
Mais foi exonerado do cargo de diretor-geral e, em seguida, iniciou uma licença remunerada, encerrada nesta quinta-feira. Questionado por repórteres, na véspera, acerca dos motivos que o levaram a se apresentar, na véspera, após o horário de expediente, o ex-diretor explicou que agora sua função agora é mais voltada para a área "acadêmica" e, não precisa, necessariamente, estar "atrás de uma mesa" para trabalhar.
– Acho até estranha essa pergunta, porque após 33 anos no Senado, nunca apresentei atestado médico para deixar de trabalhar. Se eu me apresentar de manhã ou de tarde, não faz diferença, porque vou fazer um trabalho de pesquisa. Necessariamente não tenho que fazer um trabalho de pesquisa – disse aos repórteres.
O ex-diretor esclareceu também que, atualmente, a única denúncia ainda em curso é aquela relativa aos 'atos secretos'. Outra, a de que teria comprado, de forma irregular, a mansão avaliada em R$ 5 milhões, onde vive, teria ido por terra.
– A cada denúncia, cabe a mim, ir explicando e removendo uma a uma. (Em relação aos atos secretos) o diretor-geral não é responsável por carimbar e mandar publicar. Estou confiante porque o extrato final dos atos que a imprensa chama de secretos dá pra ver que não tem nenhuma irregularidade. Nunca cometi nenhuma ilegalidade nem pedi para nenhum servidor cometê-la – afirmou.