Rio de Janeiro, 27 de Setembro de 2026

Sarney anuncia comissão mas não afasta ninguém dos cargos

Depois da divulgação de que os chamados atos administrativos secretos do Senado não configuravam um erro técnico, mas um expediente para esconder eventuais irregularidades, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), decidiu criar uma comissão de sindicância para apurar as responsabilidades sobre a prática e evitou demissões imediatas de servidores envolvidos no episódio. (Leia Mais)

Sexta, 19 de Junho de 2009 às 13:16, por: CdB

Depois da divulgação de que os chamados atos administrativos secretos do Senado não configuravam um erro técnico, mas um expediente para esconder eventuais irregularidades, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), decidiu criar uma comissão de sindicância para apurar as responsabilidades sobre a prática e evitou demissões imediatas de servidores envolvidos no episódio.

– Com o resultado da sindicância, teremos inquérito administrativo para punir os culpados – afirmou o senador em entrevista coletiva.

Sarney justificou que não tomará medidas precipitadas contra funcionários em respeito ao estado de direito. A comissão será acompanhada pelo Ministério Público e pelo Tribunal de Contas da União. Os atos administrativos secretos chegariam a 658, segundo uma fonte da presidência o Senado, e tiveram início em 1995, na primeira gestão de Sarney como presidente da Casa.

Ao contrário do que era esperado (afastar possíveis responsáveis pela prática), Sarney anunciou apenas a disposição de publicar todas as informações do Senado em um site oficial. Anunciou ainda a contratação de uma auditoria externa para analisar a folha de pagamentos dos servidores da Casa, que deve ser coordenada, segundo o senador, pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). A medida tem o objetivo é reduzir gastos.

O Senado vem sendo apontado como a instituição pública mais fechada à imprensa e não é também a primeira vez que parlamentares prometeram abrir a caixa preta do Senado. Em maio, havia sido criada uma comissão de sindicância sobre os atos secretos, que entregará o relatório na próxima segunda-feira. Esse expediente foi utilizado para criar cargos, aumentar salários, exonerar parentes de senadores sem que fosse tornado público no momento de sua edição.

Nesta sexta-feira, o jornal paulistano Folha de S. Paulo publicou entrevista com Franklin Albuquerque Paes Landim, funcionário responsável pela publicação dos atos do Senado. Ele revelou ao jornal que os então diretor-geral da Casa Agaciel Maria e o diretor de recursos humanos João Carlos Zoghbi ordenavam que alguns atos não fossem publicados. As declarações contradizem justificativas dadas por Agaciel e Zoghbi de que se tratava de erro técnico.

Sarney afirmou que a possibilidade de demissão do atual diretor-geral do Senado, Alexandre Gazineo, será discutida com a Mesa Diretora da Casa na próxima terça-feira. Gazineo, que era diretor-adjunto, também é visto como responsável pelos atos não publicados. A divulgação da existência dos atos administrativos secretos faz parte da série de denúncias que desde o início da atual gestão Sarney, em fevereiro, se abateram sobre o Senado, entre elas o pagamento de horas extras a funcionários da Casa no período de recesso parlamentar.

Agaciel já havia sido acusado de não declarar a posse de uma casa à Receita Federal no valor de 5 milhões de reais. Zoghbi teria se beneficiado de contratos assinados entre o Senado e bancos que ofereciam crédito consignado aos servidores da instituição, além de ter um filho residindo em apartamento funcional a que apenas parlamentares têm direito. Ele é alvo de investigações por várias instâncias.

Houve ainda inúmeras denúncias sobre o mau uso da cota de passagens aéreas por senadores, assim como da verba indenizatória.

Antes de convocar a entrevista desta sexta-feira Sarney fez discurso no plenário na terça quando afirmou que a crise do Senado não é dele, é do Senado. Esta, no entanto, é a terceira vez que ele preside a Casa. Sarney vem tomando medidas a cada denúncia divulgada, mas que não são suficientes para conter a divulgação de novas irregularidades.

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