Sarkozy quer impor medidas ousadas para o bloco europeu
Presidente da França, Nicolas Sarkozy disse, nesta segunda-feira, em discurso sobre as metas do G20, que as maiores economias do mundo precisam combinar novas medidas para conter a volatilidade nos mercados de commodities ou correr o risco de revoltas populares contra os preços de alimentos.
Presidente da França, Nicolas Sarkozy disse, nesta segunda-feira, em discurso sobre as metas do G20, que as maiores economias do mundo precisam combinar novas medidas para conter a volatilidade nos mercados de commodities ou correr o risco de revoltas populares contra os preços de alimentos. Falando a cerca de 300 diplomatas e jornalistas no Palácio do Eliseu, Sarkozy também expressou apoio a um imposto sobre transações financeiras, chamando tal medida de uma "questão moral", mas admitindo que a ideia tem muitos inimigos.
– Nós queremos regulação dos mercados financeiros primários de commodities. Como você pode explicar que nós regulamos o capital e não as commodities? Se nós não fizermos nada, corremos o risco de revoltas por alimentos nos países mais pobres e de um efeito desfavorável sobre o crescimento econômico global – disse Sarkozy, que tem a presidência rotativa do G20 em 2011.
Sarkozy tem um programa de três pontos para a presidência do G20, incluindo combate à volatilidade dos preços de commodities, explorar mudanças ao sistema monetário mundial e reformar a governança econômica global. Porém, o presidente parece ter conseguido um apoio insuficiente aos planos de tirar a economia mundial da dependência do dólar e estabelecer um "novo Bretton Woods".
– A França não deseja questionar o papel do dólar – disse Sarkozy, em um reconhecimento da forte resistência de Washington.
As sugestões de Sarkozy para criar uma estrutura institucional permanente para o G20, em paralelo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, também não ganharam muitos incentivos, transferindo o foco de sua liderança no G20 para as commodities – tema que também deve ser popular nas eleições presidenciais da França em 2012.
A popularidade de Sarkozy se aproxima de mínimas recordes, por volta de 30%, e ele precisa conseguir resultados na presidência do G20 para convencer o eleitorado de que merece outro mandato de cinco anos.
Medidas comuns
Enquanto Sarkozi falava na sede do governo francês, o Comissário de Assuntos Monetários e Econômicos da região, Olli Rehn, alertava, em Berlim, que os governos europeus precisam urgentemente decidir sobre medidas comuns para proteger a estabilidade da zona do euro.
– Precisamos chegar a um acordo sobre medidas comuns o mais cedo possível, quanto antes, melhor. A calma dos mercados nas últimas semanas nos deu um espaço para respirar, mas não há motivo para desacelerar agora. Precisamos agir com a determinação necessária – disse ele ao jornal alemão Die Welt nesta segunda-feira.
Ele afirmou ser importante evitar que a crise de dívida abata a recuperação econômica e a retomada do mercado de trabalho.
– É necessário que os governos europeus assegurem que não é o mercado financeiro que decide, colocando em risco a recuperação econômica – acrescentou.
Índice Markit
A Alemanha apresenta um crescimento vibrante e ajudou o setor de serviços da zona do euro a crescer mais em janeiro, apesar da fraqueza cada vez maior em outras nações do bloco, mostrou uma pesquisa nesta segunda-feira. O índice Markit do setor de serviços, que pesquisa cerca de 2 mil empresas, subiu de 54,2 em dezembro para 55,2 em janeiro, superando facilmente as previsões de 54,3.
A leitura marca o 17º mês acima da marca de 50 que separa crescimento de contração. O componente de novos negócios atingiu 55,4, a máxima em 39 meses, acima da leitura de 53,9 registrada em dezembro. A geração de emprego no setor, porém, diminuiu pelo segundo mês seguido.
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