Rio de Janeiro, 04 de Novembro de 2026

Sarkozy oferece apoio aos árabes para construção de usinas nucleares

Presidente da França, Nicolas Sarkozy não está mesmo disposto a evitar assuntos polêmicos. A exemplo do que tem demonstrado nesse início de governo, o chefe de Estado francês resolveu, agora, tocar em outra casa de marimbondos ao propor ajuda aos árabes para a construção de usinas nucleares. (Leia Mais)

Segunda, 14 de Janeiro de 2008 às 10:01, por: CdB

Presidente da França, Nicolas Sarkozy não está mesmo disposto a evitar assuntos polêmicos. A exemplo do que tem demonstrado nesse início de governo, o chefe de Estado francês resolveu, agora, tocar em outra casa de marimbondos e, como um dos primeiros atos de sua visita ao Oriente Médio, na qual espera garantir mais alguns bilhões de dólares em contratos comerciais para empresas francesas, ofereceu ajuda para que a Arábia Saudita desenvolva "um programa pacífico" de energia nuclear. Vizinho dos árabes, os iranianos têm enfrentado dificuldades cada vez maiores para realizar os avanços propostos, de forma pacífica - segundo a garantia dos aiatolás que dominam o país - para a construção de instalações atômicas.

Depois do território saudita, onde se reuniu com o rei Abdullah, Sarkozy parte rumo ao Catar e então aos Emirados Árabes Unidos, país no qual deve assinar um acordo de cooperação atômica, na terça-feira.

- A respeito da transferência de tecnologia, o presidente levantou a questão da energia nuclear civil (na conversa com o rei Abdullah) - disse um integrante da delegação francesa.

Segundo Sarkozy, uma equipe de especialistas da área estava pronta para visitar a Arábia Saudita nas próximas semanas a fim de "estudar as possibilidades". O dirigente francês, que já assinou acordos de cooperação nuclear com a Argélia e a Líbia, nações árabes e produtoras de petróleo, não esconde sua opinião de que todos os países têm o direito de dominar a tecnologia atômica.

- Sempre disse que o mundo muçulmano não tem menos direitos do que o restante do mundo quando se trata de usar a energia nuclear para fins civis com o objetivo de atender a suas necessidades, tudo em conformidade com as obrigações previstas nas leis internacionais - disse Sarkozy ao jornal árabe al-Hayat, publicado em Londres.

A empresa francesa Total confirmou na segunda-feira que desenvolveria dois reatores de terceira geração nos Emirados Árabes Unidos em parceria com a Suez e com a fabricante estatal de reatores atômicos Areva. O Conselho de Cooperação do Golfo -- uma aliança econômica e política pouco coesa que reúne seis países árabes do golfo Pérsico, entre os quais os Emirados -- disse no ano passado que estudava a possibilidade de adotar um programa conjunto de energia nuclear e entrou em contato com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) para se informar do assunto.

A Arábia Saudita, maior exportador de petróleo do mundo, beneficia-se atualmente dos preços recorde do combustível, que chegaram a cerca de 100 dólares o barril. Muitos líderes mundiais visitaram a Arábia Saudita nos últimos dois anos em busca de garantir para as empresas de seus países uma parte desses lucros.

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