O presidente empossado da França, Nicolas Sarkozy, nomeou nesta quinta-feira François Fillon para o cargo de primeiro-ministro. Sarkozy aposta na capacidade de negociação do político, considerado um conservador moderado, para superar a resistência sindical às reformas que o novo governo propõe.
Em seu primeiro dia no cargo, Sarkozy tomou café da manhã com Fillon, 53 anos, que trabalhou como coordenador da campanha dele a presidente.
Em 2003, quando era ministro de Assuntos Sociais, Fillon teve de se entender com os poderosos sindicatos franceses para aprovar reformas previdenciárias. Por isso, era considerado a escolha natural de Sarkozy para tratar de mudanças nas leis trabalhistas e previdenciárias.
"Num mundo de 6 bilhões de seres humanos, os 60 milhões de franceses devem permanecer unidos. Esse é o espírito de abertura que o presidente quer", disse Fillon ao receber o cargo de Dominique de Villepin. "Ouvirei a todos, porque uma França em movimento precisa de todos."
Na França, o primeiro-ministro comanda o dia-a-dia da administração pública, enquanto o presidente, mais afastado, supervisiona o governo sem se envolver em detalhes. Sarkozy disse estar em busca de um papel mais ativo em seus cinco anos de mandato.
Para isso, ele terá de assegurar maioria na eleição parlamentar de junho, ou do contrário será obrigado a uma "co-habitação" com um governo de esquerda, o que comprometeria sua agenda de reformas e limitaria sua atuação praticamente apenas às áreas de política externa e defesa.
Pesquisa Ipsos na quarta-feira apontou apoio de 40% ao UMP, partido de Sarkozy, um avanço de 1,5% sobre a última eleição, de 2002, vencida pela direita. A oposição socialista e seus aliados ficaram praticamente estáveis, com 28%.