Candidato da direita francesa ao Eliseu, Nicolas Sarkozy viu-se diante de uma polêmica sobre a liberdade de expressão, nesta sexta-feira, depois que o candidato de centro, François Bayrou, derrotado no primeiro turno, o acusou de censurar um debate eleitoral pela TV. Bayrou disse que Sarkozy havia "subvertido as liberdades democráticas básicas" do livre discurso usando seus contatos na mídia e nas empresas para impedir o debate marcado para este sábado no Canal Plus entre ele e a desafiante socialista Ségolène Royal.
O diretor de campanha de Sarkozy, Claude Gueant, disse que as acusações foram uma difamação sem base e denunciou o que ele disse que eram "táticas stalinistas" pelo centrista Bayrou. O forte terceiro lugar de Bayrou na votação do primeiro turno no domingo desencadeou uma briga para conquistar seus quase 7 milhões de eleitores, e Royal propôs um debate para avaliar possíveis pontos de convergência com o líder do pequeno partido centrista UDF. Questionado na rádio RTL se ele estava acusando Sarkozy de pedir à televisão Canal Plus para cancelar o debate, Bayrou disse:
- Eu não tenho a prova, mas estou certo disso - disse a jornalistas.
Bayrou disse que baseava suas acusações no testemunho de pessoas dentro do Canal Plus e de "todos aqueles que estavam interessados no debate e pretendiam transmiti-lo".
- Eu digo com certeza que temos diante de nossos olhos hoje a prova desta propensão ou escolha de Nicolas Sarkozy para controlar as notícias e o debate, e isso é prejudicial para a França - disse.
As acusações de Bayrou podem afastar eleitores moderados atraídos pela energia e iniciativa de Sarkozy, mas preocupados com a imagem estridente e as visões radicais sobre criminalidade, imigração e identidade nacional do ex-ministro do Interior. A ala de Sarkozy, já atormentada pelo sustentado ataque de Bayrou contra seu candidato em uma entrevista coletiva na quarta-feira, respondeu com irritação à última saraivada do centrista.
- É uma difamação, uma insinuação difamante. É extremamente sério fazer tais observações. São táticas stalinistas. Afirmar coisas sem prova é extremamente sério - disse, durante uma coletiva de imprensa, o normalmente contido diretor de campanha de Sarkozy, Gueant.
Desde seu forte desempenho no domingo, Bayrou busca se impor como o fiel da balança nas eleições presidenciais e na votação parlamentar prevista para junho. As pesquisas dão a Sarkozy a vantagem sobre Royal, mas ela reduziu a lacuna nos últimos levantamentos. Uma pesquisa TNS Sofres esta semana mostrou que 46% dos eleitores de Bayrou apóiam Royal, contra 25% para Sarkozy e 29% que ainda não se decidiram, embora outras pesquisas tenham mostrado o apoio praticamente dividido igualmente. Bayrou por enquanto descarta apoiar qualquer dos candidatos, mas sua crítica ao programa econômico de Royal foi branda comparada aos ataques a Sarkozy.