Presidente francês, Nicolas Sarkozy anunciou, nesta terça-feira, uma reforma nas forças armadas do país, que pretende preparar a França para "enfrentar novas ameaças terroristas".
Segundo Sarkozy, a reforma inclui o reforço dos serviços de inteligência, principalmente na área espacial. O presidente anunciou que o orçamento do setor espacial militar irá dobrar em relação ao montante atual, de 380 milhões de euros (cerca de R$ 950 milhões) por ano.
- Hoje, a ameaça imediata é a de um ataque terrorista. Essa ameaça é presente, real, e nós sabemos que ela poderá ter uma nova forma, ainda mais grave, com meios radiológicos, químicos e biológicos - declarou Sarkozy, ao expor o plano de reforma a mais de 3 mil militares.
Sarkozy também anunciou a criação do cargo de coordenador Nacional dos Serviços de Inteligência, que será assumido pelo atual embaixador da França na Argélia. Para o presidente francês, a defesa do país deve ser mais ágil e mais bem equipada.
Redução de contingente
Ao anunciar os planos para as Forças Armadas, o presidente afirmou que, dentro dos próximos seis ou sete anos, fará uma redução significativa no contingente das três forças. Com a redução, o número de postos do Exército, Marinha e Aeronáutica passará dos atuais 271 mil para 224 mil. Apesar da redução de pessoal, Sarkozy prometeu ampliar de maneira significativa os investimentos em equipamentos militares.
- Nós devemos aumentar a capacidade de resistência do país, ou seja, sua capacidade de encontrar novamente um funcionamento aceitável, normal, diante de uma crise maior - declarou o presidente.
O orçamento da defesa irá totalizar 377 bilhões de euros (R$ 945 milhões) até 2020. Destes, 200 bilhões de euros (cerca de R$ 500 bilhões) serão destinados à modernização dos equipamentos militares, já que, segundo o ministro da Defesa, Hervé Morin, os atuais estão "totalmente desgastados".
De acordo com Sarkozy, os novos investimentos representam um acréscimo de quase 3 bilhões de euros (R$ 7,5 bilhões) no gasto anual com equipamentos, que hoje chega a 15,5 bilhões de euros (R$ 38,7 bilhões).
A França irá modernizar, por exemplo, 300 aviões de combate polivalentes, como o Rafale e o Mirage 2000, utilizados pela Marinha e pela Força Aérea.
- A proliferação (armamentista) continua e um número crescente de países irá dispor de mísseis balísticos, cujo alcance pode atingir vários milhares de quilômetros e atacar a Europa - afirmou o presidente francês.
Poderio nuclear
Sarkozy também disse esperar que a Presidência francesa da União Européia, que começa no dia primeiro de julho, seja a "primeira etapa de uma retomada do projeto de defesa" comum. O presidente francês afirmou que espera que o bloco europeu seja capaz de enviar simultaneamente 60 mil homens a operações no exterior. Ele acrescentou que a França se reintegrará, em breve, ao comando militar da Otan (Aliança do Tratado do Atlântico Norte), ressalvando que o país não colocaria tropas à disposição da aliança em tempos de paz.
Segundo o presidente, a dissuasão nuclear francesa continuará algo "estritamente nacional". A França, embora membro da Otan, não faz parte do comando militar da organização desde 1966, por decisão do general Charles de Gaulle, que retirou os oficiais franceses dessa estrutura da aliança.