A Bical, empresa de calçados infantis de Birigui (interior de São Paulo), está enfrentando a crise do dólar e a concorrência dos sapatos chineses dando ao inimigo um pouco de seu próprio remédio: a empresa agora exporta um de seus modelos para o mercado chinês, que é vendido para o consumidor classe A daquele país.
- Nossa estratégia é a mesma das grandes marcas mundiais. Vamos nos posicionar como uma marca global dentro da casa deles, oferecendo outros níveis de estilo e design - explica Silton Freire, gerente de comércio exterior da empresa.
A Bical, que existe há 42 anos, produz 20 mil pares de sapato ao dia e vem apostando no mercado externo para crescer - este ano, apesar da crise do setor calçadista, a empresa prevê crescimento de 10% no faturamento. Hoje, a empresa exporta 25% de sua produção.
Hoje, os sapatos da empresa são vendidos para 84 países. Europa, América Latina e Estados Unidos são os principais mercados.
A exportação para a China começou em 2007, mas dois clientes do país já compram o modelo My Baby. O produto, relativamente popular no Brasil - é vendido nas lojas por cerca de R$ 20 -, virou febre entre o mercado de alta renda na China. Lá, o consumidor tem de desembolsar US$ 36, ou cerca de R$ 68, pelo mesmo modelo.
Com 1,2 mil funcionários e quatro fábricas - três em Birigui e uma em Aparecida do Taboado, no Mato Grosso do Sul -, a companhia investe pesado na renovação constante de seus modelos, com duas coleções anuais.
O constante investimento em design, segundo Freire, é uma forma eficiente de combater a pirataria. Desta forma, na hora em que as fábricas chineses copiam um modelo, eles já viraram coisa do passado.