A Prefeitura de São Paulo vai contratar um advogado para tentar recuperar o dinheiro depositado no exterior, em contas que, segundo a Justiça da Suíça, pertencem a Paulo Maluf. Os US$ 200 milhões estão bloqueados em instituições financeiras das Ilhas Jersey, no Canal da Mancha.
- Nós tememos que esse dinheiro seja desbloqueado e encaminhado para outro paraíso fiscal ou outro país, o que inviabilizaria eventual rastreamento. Sem advogado, simplesmente nós podemos perder esse dinheiro que está depositado na Ilha de Jersey - explica o promotor de Justiça Silvio Marques.
Em novembro de 2002, o emissário do procurador-geral de Jersey já alertava:
- Não é possível manter o dinheiro bloqueado indefinidamente.
E falava da possibilidade de desbloqueio a partir de janeiro de 2003.
No último ano, outra carta, traduzida para o português. O emissário diz:
- O caso agora entra em uma fase em que as autoridades brasileiras estarão em desvantagem ao não ter representação legal própria.
Da embaixada, em Londres, as correspondências de Jersey vieram parar no Ministério Público Estadual em São Paulo, responsável pelas investigações.
Mas os promotores não têm poderes para representar o Brasil lá fora, na ação necessária para trazer a fortuna de volta. A parte interessada é a Prefeitura de São Paulo, de onde, segundo as investigações, o dinheiro foi desviado.
Depois de muitas reuniões e troca de ofícios, os promotores deram um ultimato à Prefeitura: ou contrata advogado, ou será processada por omissão.
A contratação cabe à Secretaria de Negócios Jurídicos da Prefeitura. O secretário, Luiz Tarcísio Ferreira, diz que seria inútil ter advogado antes do acesso aos extratos suíços que comprovam que o dinheiro pertence a Paulo Maluf:
- Sem esses documentos, eu não tenho base para uma contratação. Eu preciso saber de quem eu vou buscar esse dinheiro. Só assim eu posso atuar legalmente.
Segundo o texto do convênio que o município assina com o governo federal, na semana que vem, a Prefeitura entra com o dinheiro e a União contrata o advogado inglês que vai brigar pelo dinheiro em Jersey.
- Eu tenho esperança de recuperar esse dinheiro, com certeza - afirma Luiz Tarcísio Ferreira.
Em Brasília, Paulo Maluf exibiu uma escritura pública.
- Tanto não tenho conta na Suíça que, por essa escritura pública, eu dou a quem encontrar o dinheiro todo o dinheiro - desafiou o ex-prefeito de São Paulo.
Maluf ainda mandou entregar para o juiz federal em São Paulo o passaporte diplomático de quem já foi governador.
- Eu não vejo a possibilidade de prisão do meu cliente como uma coisa séria, não, mas falta de seriedade existe muita - comentou o advogado de Paulo Maluf, José Roberto Leal.
São Paulo quer recuperar dinheiro que Maluf depositou no exterior
Terça, 11 de Maio de 2004 às 22:27, por: CdB