Com o objetivo de acabar com a doação de esmolas nos semáforos e levar as crianças de volta para casa, a prefeitura de São Paulo vai implantar, a partir de junho, um programa de reinclusão social no bairro de Santo Amaro, Zona Sul paulista. O slogan do projeto ainda não foi escolhido.
Segundo o secretário municipal de Assistência Social, Floriano Pesaro, 100 agentes em 14 peruas circularão pela região para conversar com crianças e aliciadores para que eles deixem o trabalho nos sinais. Levantamento da Prefeitura mostra que 95% das crianças que atuam nos sinais da capital têm casa e família e que 85% delas estudam.
- Nossa idéia é levá-las de volta para a casa. Elas trabalham após horário escolar. Queremos fazer acordo com as famílias que passariam a ter prioridade nos programas sociais, como o Renda Mínima - diz Pesaro.
A ação terá a parceria de 350 Organizações não-governamentais, além de envolvimento direto da Secretaria Municipal de Educação com o programa Pós-Escola, que vai funcionar inicialmente no Sambódromo e que quer vai organizar atividades para crianças e adolescentes após o horário escolar.
- Queremos desestimular a esmola na rua mostrando que ao dar esmola as pessoas estão estimulando a permanência das crianças ali. As pessoas precisam dizer: 'São Paulo não tolera mais essa quantidade de criança nas ruas - diz Pesaro.
Segundo Pesaro, haverá, numa segunda etapa, orientação ostensiva com de propaganda e panfletagem. O secretário disse que a Prefeitura não vai gastar "um tostão" com a propaganda e que uma grande agência de publicidade já prepara a campanha. Outras prefeituras já manifestaram interesse de se juntar a São Paulo, já que 30% das crianças que trabalham nos semáforos da capital vêm de cidades vizinhas.
Lúcia Pinheiro, do Projeto Travessia, que atende 500 crianças por mês, acredita que a iniciativa é "louvável" desde que aliada a outras ações.
- Como não há o acompanhamento e a renda dos programas é menor do que aquilo que se pode arrecadar na rua, elas permanecem lá. Muitas crianças estão nas ruas mesmo inscritas em programas sociais - diz ela.