Enquanto estudantes organizavam uma série de protestos, assinados pelo 'Comando de Caça ao Bush', os presidentes do Brasil e dos EUA, reunidos em Guarulhos, trocavam elogios e promessas de mudanças na matriz energética mundial. Fora dos portões da refinaria, os moradores de São Paulo tiveram ruas fechadas, mais de 130 quilômetros de engarrafamentos e protestos no centro financeiro da megalópole.
Bush visitou o terminal da Transpetro (a empresa de transporte da Petrobras) em Guarulhos, na Grande São Paulo onde se encontrou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em um rápido discurso, ele disse que pretende reduzir o consumo de gasolina no seu país. Para compensar essa diminuição, ele quer incentivar a ampliação do consumo de biocombustíveis, como o álcool e o biodiesel.
Em seu discurso, o presidente norte-americano anunciou a elevação, em sete vezes, do consumo norte-americano de biocombustíveis, atualmente em 5 bilhões de galões por ano. Segundo afirmou, a meta é elevar esse consumo para 35 bilhões de galões por ano no período de 10 anos. Ele também afirmou que os EUA querem ser cada vez menos dependentes do petróleo.
- Os EUA estão interessados em diversificar as fonte de geração de energia. Queremos reduzir a dependência do petróleo, pois tem a questão da segurança nacional.
Segundo afirmou, o país dele também está preocupado com os custos com a importação de gasolina.
- Existe o interesse econômico para o nosso país. No mundo globalizado, se aumenta a demanda por petróleo, aumenta o preço da gasolina para os EUA - constatou, após reconhecer que a gasolina gera um impacto significativo sobre o meio ambiente.
Após a visita, no final de seu discurso, o presidente norte-americano, originário do Texas, reclamou que estava com fome e ansioso por iniciar o almoço para o qual foi convidado por Lula.
Matriz energética
Lula e Bush, usando capacetes brancos de segurança da Petrobras, estavam acompanhados do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, e da secretária de Estado norte-americana Condoleezza Rice. Em seu discurso, que antecedeu ao do colega norte-americano, Lula disse reforçou o pedido para reduzir a tarifa cobrada pelos Estados Unidos ao álcool brasileiro.
A parceria entre Brasil e Estados Unidos na área dos biocombustíveis, assinada nesta sexta-feira, pode mudar o cenário do mercado automobilístico e energético mundial, na avaliação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
- Essa parceria pode significar, definitivamente, a partir do dia de hoje, um novo momento da indústria automobilística no mundo, dos combustíveis e um novo momento para a humanidade - afirmou Lula.
Para Lula a aliança com os EUA é uma forma de convencer o mundo de mudar sua matriz energética, baseada atualmente em combustíveis fósseis.
- Tenho sido quase que de forma doentia defensor das fontes renováveis de combustíveis. Vejo com enorme satisfação uma crescente consciência na comunidade internacional de que é preciso superar a dependência dos combustíveis fósseis - declarou.
Protestos e pancadaria
Na avenida Paulista, centro nervoso da capital paulista, o confronto entre manifestantes e policiais deixou um saldo de cinco feridos (três manifestantes, uma tenente da Polícia Militar e um fotógrafo). Durante o protesto, a Polícia Militar usou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar a multidão, que entrou em confronto com PMs, armados de pedras e pedaços de pau.
Embora "Fora Bush" fosse o lema comum, os milhares de manifestantes incluíam das diversas organizações de representação feminina, reunidas na Marcha Mundial da Mulher, partidos de esquerda pró e anti-Lula, à Associação dos Estudantes Muçulmanos.
Ao lado de fotografias do presidente americano cobertas com o inconfundível bigode de Adolf Hitler, podiam ser lidas nas faixas e cartaze