Rio de Janeiro, 29 de Agosto de 2026

São Paulo não está preparada para chuvas de verão

A cidade de São Paulo ainda não está preparada para enfrentar as chuvas de verão. De acordo com o presidente do Sindicato dos Arquitetos no Estado de São Paulo (Sasp), Daniel Amor, as obras previstas pela prefeitura, como a construção de piscinões para armazenar o excesso de água da chuva, estão aquém da necessidade.

Quarta, 15 de Dezembro de 2010 às 09:01, por: CdB
A cidade de São Paulo ainda não está preparada para enfrentar as chuvas de verão. De acordo com o presidente do Sindicato dos Arquitetos no Estado de São Paulo (Sasp), Daniel Amor, as obras previstas pela prefeitura, como a construção de piscinões para armazenar o excesso de água da chuva, estão aquém da necessidade. A Secretaria de Infraestrutura Urbana e Obras informou que 27 obras de drenagem estão em andamento e 22 devem ser concluídas ainda este ano. A previsão é que os investimentos em manutenção e expansão do sistema de drenagem totalizem R$ 421 milhões em 2010. – As obras são importantes, têm que ser feitas, especialmente os piscinões, a reurbanização dos córregos –, disse Daniel Amor. Ele ponderou, entretanto, que os recursos não são suficientes para resolver os problemas causados pelos temporais. – Há uma necessidade bem maior –, completou. O arquiteto ressaltou que a manutenção e limpeza das galerias de escoamento e reservatórios de armazenamento precisam ser intensificadas. A terceirização desses serviços faz, segundo ele, com que a frequência da remoção dos resíduos seja menor do que o preciso. – Esse tipo de manutenção tem que ser feita quase diariamente por equipes da casa. Não pode ser feita uma programação mensal para isso. Apesar de a prefeitura informar que os investimentos em drenagem cresceram cinco vezes de 2004 para 2009, o urbanista do Instituto Polis, Kazuo Nakano, vê uma demora na implementação dessas providências. – Desacelerou o processo de implantação do sistema de macrodrenagem metropolitano –, disse. Nakano disse também que a redução da impermeabilização e o desassoreamento dos curso de água passam pela resolução do problema de moradia na capital. – Tem que equacionar a demanda por moradia, principalmente dessas famílias que estão morando perto de rios, de córregos e represas, que contribuem muito para o assoreamento do canais. Segundo a prefeitura, desde 2005, foram transferidas 6 mil famílias de áreas de risco com a urbanização de favelas O professor de engenharia da Universidade de São Paulo, Rodolfo Martins, reconhece que a cidade tem “um passivo de obras muito grande”, mas acha que a prefeitura está se esforçando para resolver o problema das enchentes. Para ele, as inundações são causadas pelo modelo de urbanização utilizado ao longo dos anos. – A cidade começou a briga com o rio. Por isso, segundo Martins, não existem soluções capazes de resolver o problema rapidamente. – É um processo relativamente longo desfazer tudo isso. Caso a prefeitura e o governo do Estado tomem as medidas necessárias, Martins acredita que entre cinco dez anos a cidade poderá ter uma “convivência melhor” com os cursos de água. Com o temporal desta semana, a cidade de São Paulo registrou 81 pontos de alagamento, dos quais 15 ficaram intransitáveis, segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE). No verão de 2009, os temporais causaram 18 mortes na capital. O bairro do Jardim Romano, na zonal leste, teve parte de suas ruas inundadas por quase dois meses. De acordo com o meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) Fabrício Daniel dos Santos, as tempestades observadas na última estação chuvosa foram provocadas pelo fenômeno El Niño, que causa chuvas intensas no Centro-Sul do país. Este ano, com o La Niña, as chuvas não serão tão fortes. Mesmo assim, Santos alertou que o verão sempre traz dias de “chuvas intensas”. E nessas ocasiões a capital paulista continuará sofrendo com as inundações.
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