Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

São Clemente retrata problemas do Brasil

Segunda, 23 de Fevereiro de 2004 às 06:47, por: CdB

A São Clemente abriu o desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro no domingo, levando muito laranja, vermelho, preto e amarelo para a Sapucaí para representar uma crítica à violência, à corrupção e à nudez que, segundo ela, fazem do parte do Brasil há tempos. Em seu enredo, a escola concluiu que ``no Brasil, o que é sério é Carnaval.''

A primeira escola do Carnaval carioca protagonizou também a primeira polêmica de um desfile que deve dar o que falar este ano, ao fazer uma brincadeira com um ícone norte-americano, o Tio Sam. Ainda nesta madrugada, a Grande Rio deve gerar outra polêmica com bonecos representando posições do Kama Sutra.

O enredo da São Clemente, que este ano conseguiu desfilar no time das principais escolas do Rio, ``Boi voador sobre o Recife: o cordel da galhofa nacional faz referência ao conde Maurício de Nassau, que prometeu à população que faria um boi voar. Para escola, esse episódio foi a primeira ``esculhambação'' do país.

Vários carros alegóricos e muitas alas representaram o boi, às vezes com asas. Os animais foram presença constante no desfile, seja para reforçar a parte do enredo de que ``a cobra vai fumar'' ou para representar a natureza, poluída e ameaçada, do Brasil.

No carro abre-alas, a escola trouxe Elke Maravilha e Miguel Fallabela, mas quem roubou a cena foi o dançarino Lacraia, arrancando palmas e gritos de um público que manteve-se sentado e demonstrando pouco ânimo durante grande parte do desfile.

Criticando a violência presente no Rio de Janeiro e em todo o país, a escola trouxe em seus carros bonecos gigantes de homens e mulheres encapuzados segurando metralhadoras. Em uma alegoria representando os presídios, a São Clemente desenhou vários celulares na porta das cadeias, mostrando a audácia, e quase liberdade, dos bandidos.

A escola também mostrou desaprovação com a nudez que invade a televisão e a mídia em geral. Bonecos em um carro alegórico representam dançarinas como Tiazinha e Feiticeira e as integrantes do grupo Tchan dançando o sucesso ``na boquinha da garrafa,'' um refrão que a São Clemente incluiu em seu enredo.

O Tio Sam, símbolo norte-americano, veio em um dos últimos carros, de preto e amarelo e com a calça abaixada mostrando a genitália. Segundo integrantes da diretoria da escola, o boneco reflete os atritos entre os Estados Unidos e o Brasil. No mesmo carro, mais uma crítica à potência mundial: a estátua da Liberdade era um boneco negro com a inscrição ``racismo.''

Depois de tudo isso, a escola concluiu em seu enredo que o Carnaval é a única coisa sério do país.

A São Clemente ainda homenageou o apresentador Chacrinha, um dos mais marcantes personagens da televisão brasileira. O filho do apresentador, Leleco, desfilou na Sapucaí, assim como um sósia, Adair Silva.

Tags:
Edições digital e impressa